Irã diz estar 'muito otimista' sobre visita de equipe de ONU
Por Parisa Hafezi e Ramin Mostafavi
TEERÃ, 29 JAN - O Irã disse neste domingo estar muito otimista sobre uma visita de inspetores nucleares da Organização das Nações Unidas(ONU), que tem como objetivo esclarecer os supostos aspectos militares do programa nuclear do país, mas o governo sugeriu que Teerã vai parar de cooperar caso os especialistas se tornem uma "ferramenta" das potências estrangeiras.
A equipe da Agência Internacional de Energia Atômica(AIEA) começou neste domingo uma visita de três dias para tentar adiantar os esforços para resolver uma antiga briga sobre o programa nuclear. O Irã diz que o projeto tem fins pacíficos para a produção de eletricidade, mas o Ocidente suspeita que o objetivo real seja produzir uma arma nuclear.
As tensões com o Ocidente aumentaram neste mês, quando os Estados Unidos e a União Europeia impuseram as sanções mais rígidas até agora para tentar forçar o Irã a dar mais informações sobre seu programa nuclear. As medidas têm o objetivo direto de atingir o segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo(Opep) na venda de seu produto.
Durante uma viagem à Etiópia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi, disse à agência de notícias Mehr que está otimista. "Estamos muito otimistas sobre o resultado da visita da delegação da AIEA ao Irã... As dúvidas deles serão respondidas durante essa visita."
"Não temos nada a esconder, e o Irã não tem atividades (nucleares)clandestinas", afirmou.
O presidente do Parlamento Iraniano, Ali Larijani, alertou a equipe da AIEA para realizar um trabalho "lógico, profissional e técnico"ou sofrer as consequências.
"Essa visita é um teste para a AIEA. O caminho para outras cooperações estará aberto se a equipe realizar seu dever profissionalmente", afirmou Larijani, segundo a imprensa estatal. "Do contrário, se a AIEA se transformar em uma ferramenta (das potências ocidentais), então o Irã não terá outra escolha a não ser considerar uma nova estrutura de seus trabalhos com a agência."
No passado, o Parlamento iraniano aprovou leis que obrigavam o governo a rever seu grau de cooperação com a AIEA. Contudo, autoridades do país sempre observaram a importância de preservar seus laços com o organismo.
Antes de partir de Viena, o vice-diretor-geral da AIEA, Herman Nackaerts, disse esperar que o país islâmico responda às preocupações da agência "sobre as possíveis dimensões militares de seu programa nuclear".
DEBATE NO PARLAMENTO
Menos de uma semana depois de os 27 países da União Europeia terem concordado em interromper a importação de petróleo do Irã a partir de 1º de julho, legisladores iranianos devem debater um projeto neste domingo para tentar cortar o fornecimento à UE em questão de dias.
Alguns membros do Parlamento disseram à Reuters que o debate pode ser adiado para a quarta-feira.
Ao aplicar sanções à UE, os legisladores esperam tirar do bloco o prazo de seis meses que ele teria para que seus membros se tornem independentes do petróleo iraniano, incluindo alguns mais frágeis economicamente do sul da Europa.
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