Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Itália com vista para a Buenos Aires

O MoDi abre as portas hoje em Higienópolis: no cardápio, receitas italianas para o almoço e o jantar, sanduíches durante a tarde, brunch nos fins de semana e kits para levar e comer na praça. E o melhor, a preços razoáveis

José Orenstein, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2014 | 02h11

Aquele papo de "e se a gente abrisse um restaurante?" deixou de ser pergunta retórica. Deu no MoDi. A casa que abre hoje em Higienópolis é fruto das conversas, viagens e devaneios de um grupo de amigos.

No térreo do Edifício Paquita, em meio aos pilotis que sustentam o belo prédio modernista em frente à Praça Buenos Aires, o MoDi traz o espírito dos cinco sócios: o casal Diogo Silveira e Sissi Spitaletti - ele, ex-chef do Pomodori; ela, ex-sócia do Dona Onça-; o casal Eduardo Estrela e Daniela Angelotti - ele, ator; ela, produtora de teatro -; e Guilherme Castro, que trabalhou no mercado financeiro.

Não espere maître, garçons por todos os lados, toalha de mesa e guardanapo de pano. A aposta é num restaurante mais despojado, mas nem por isso relaxado. É que a busca por preços razoáveis é um dos elementos de ligação entre os sócios.

"Esperamos um tíquete médio de R$ 45 no almoço e por volta dos R$ 70 no jantar", diz Guilherme. "Estávamos todos meio indignados de pagar R$ 60 por um prato de macarrão", completa Daniela. "Tentamos estabelecer os preços com a cabeça do cliente", emenda Eduardo. Eles garantem que os preços mais baixos não são só estratégia para atrair clientes no início. "É o conceito da casa", diz Sissi. O Paladar vai conferir.

A receita para segurar custos, dizem, será manter o cardápio sazonal - que muda de acordo com o que estiver disponível no mercado-, evitar desperdício de ingredientes e manter uma equipe enxuta, tanto na cozinha como no salão.

As entradas vão de R$ 7, como a sopa fria de beterraba, a R$ 17, como o crocante filé à milanesa com tomate. As 11 opções de massa oscilam entre R$ 25 e R$ 33. O prato mais caro é a paleta de cordeiro assada com tagliatelle e legumes: R$ 44.

Eduardo, o mais falante dos cinco, que vai cuidar do salão, tenta resumir o restaurante: "É para experimentar o ciclo completo do prazer da comida. Mas se sentindo em casa".

A comida será servida em quatro frentes: no almoço e no jantar, é um restaurante de inspiração italiana; à tarde, vende sanduíches, os panini; no fim de semana oferece um brunch, a colazione, com ovos, pães, um drinque, e ainda terá kits com salada, massa ou carne para quem quiser fazer um piquenique na praça em frente. Além das entradas, massas, carnes e sanduíches, o MoDi terá ainda os orzotti, espécie de risoto feito de cevadinha.

Pães e massas são feitos por Diogo. E para beliscar há um prato de queijos (R$ 31) e um prato de embutidos (R$ 31), que são elaborados artesanalmente por Adriana Lopez na Serra da Mantiqueira e descansam numa adega envidraçada no meio do restaurante.

Uma tradição na Itália, a casa terá ainda os crudos (R$ 31): um prato de atum, robalo, vieira ou filé mignon servidos crus, bons para petiscar com um drinque.

Uma tradição no Brasil, a casa terá miúdos: dobradinha, fígado, moela de pato e língua serão servidos por R$ 25, um a cada semana do mês (e aos fins de semanas, tem rabada a R$ 29).

E por que o nome MoDi? Os sócios riem, falam do gosto pela arte que os une. É uma homenagem ao pintor Amadeo Modigliani. E então Sissi acrescenta: "E, também, ele era italiano. E judeu. Tudo a ver com Higienópolis!".

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