Jiboia 'sente' parada cardíaca em coração de presa, diz estudo
Mecanismo evoluiu para equilibrar necessidade de fazer esforço para matar presas com a de poupar energia, afirmam pesquisadores

Um estudo feito por pesquisadores americanos afirma que as jiboias sabem exatamente o quanto precisam espremer suas presas para matá-las.

As cobras da espécie Boa constrictor conseguem perceber os batimentos cardíacos da vítima e só relaxam os seus próprios músculos depois que aqueles param, afirmam os pesquisadores.
Esta capacidade seria crucial para um predador que precisa equilibrar sua necessidade por comida com a energia que gasta para contrair seus músculos com a força e pelo tempo necessários para sufocar o animal.
O estudo coordenado pelo professor Scott Boback, do Dickinson College, na Pensilvânia, tinha como objetivo desvendar exatamente esse mecanismo.
'Coração falso'
Os cientistas usaram ratos de laboratório como presas - mas, em vez de usar roedores vivos, eles implantaram "simuladores de coração" em ratos mortos.
Quando a jiboia atacava uma das presas já mortas, os pesquisadores conseguiam controlar o coração falso remotamente.
Eles também usaram sensores no corpo do rato para medir como a cobra ajustava sua força.
"Da primeira vez que fizemos o teste com uma cobra e um rato com simulador de coração, não consegui acreditar", disse Boback à BBC.
"Ela estava se contorcendo e espremendo o rato numa aparente tentativa de matá-lo."
Enquanto a equipe mantinha o coração falso batendo, ficou claro que a jiboia apertava os ratos "por mais tempo que qualquer cobra observada anteriormente espremendo uma presa - viva ou morta".
Ratos mortos
A reação das cobras aos ratos sem simuladores de batimentos cardíacos foi completamente diferente. As jiboias "atacavam, se enrolavam, espremiam o rato e depois soltavam gradualmente".
"Houve uma diferença tão grande que eu sabia que estávamos descobrindo algo muito interessante", disse Boback.
A equipe descreveu suas conclusões na revista científica Royal Society Journal Biology Letters.
"Durante a contração, a cobra consegue 'sentir' o batimento cardíaco da presa", afirmaram os pesquisadores.
"Muitos veem as cobras como assassinas audaciosas, incapazes de funcionamentos complexos que reservamos a vertebrados 'mais nobres'. Nossas descobertas contrariam isso."
De acordo com os cientistas, a precisão do sentido de tato das cobras significa que os animais são "capazes de fazer coisas que não percebíamos antes".
"Por exemplo, as cobras podem utilizar esse agudo sentido táctil para coordenar movimentos complexos associados à locomoção desprovida de membros", disse Boback.
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