Jogo de temática cristã para PCs gera polêmica nos EUA

Um game cristão se tornou o mais recente campo de batalha nas guerras culturais norte-americanas, com a produtora alegando que ele promove a oração, enquanto os críticos afirmam que o jogo transmite uma mensagem de violenta intolerância religiosa. "Left Behind: Eternal Forces" é um jogo de estratégia para computadores, destinado a adolescentes e baseado na muito popular série Left Behind de romances cristãos, escrita por Tim LaHaye e Jerry Jenkins. O jogo tem Nova York por cenário, e a ação transcorre depois que milhões de cristãos foram transportados para o paraíso. Os jogadores têm por missão recrutar e converter um exército que travará uma guerra física e espiritual contra o Anticristo e seus malignos seguidores. Um grupo de pressão conhecido como "Campaign to Defend the Constitution", que monitora as atividades da direita religiosa, diz que o jogo é violentamente pró-cristão, e apresentou uma petição à gigante do varejo Wal-Mart para que suspenda as vendas do produto. Os críticos descrevem o jogo como "videogame violento no qual os cristãos têm por objetivo converter ou matar aqueles que não aderem à sua ideologia extrema". "Depois que o jogador mata alguém, precisa recarregar seus pontos de alma, e para fazê-lo tem de se ajoelhar e orar... Acredito que a mensagem seja extremamente clara", disse Clark Stevens, co-diretor da Campaign to Defend the Constitution. O Wal-Mart disse que o produto está à venda nas unidades de sua cadeia onde a demanda pelo título era prevista. A produtora do jogo não está preocupada com as críticas. "A realidade é que o nosso jogo perpetua a oração e o culto religioso, e não há matança em nome de Deus", disse Troy Lyndon, presidente-executivo da Left Behind Games. "Há mortes, é claro. Estamos falando de um videogame. Mas a base do jogo é o bem-estar espiritual", disse Lyndon, que se descreve como "um seguidor de Cristo", à Reuters. Ele acrescentou que as vendas do jogo têm sido bastante positivas, desde que o título chegou às lojas, no mês passado.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2006 | 17h45

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