Jornais dos EUA dão destaque às obras

Extensos obituários valorizam legado do brasileiro

GUSTAVO CHACRA , O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2012 | 23h50

Descrito como gênio pela CNN e com direito a um gigantesco obituário de uma página no The New York Times, Oscar Niemeyer foi seguramente um dos brasileiros mais conhecidos nos Estados Unidos, ao lado de Tom Jobim e Pelé. Deixou sua marca no edifício da ONU, em Nova York - o site da entidade, porém, divide a autoria entre 11 arquitetos internacionais, liderados pelo americano Wallace K. Harrisson.

"Niemeyer se tornou um dos mais importantes arquitetos do século 20 ao adicionar ao modernismo parte do tropicalismo do Brasil", afirmou John Lyons, do Wall Street Journal, lembrando que alguns críticos não consideram seus prédios no Brasil eficientes para o clima quente. Em Nova York, na sede da ONU, diplomatas também reclamam da falta de funcionalidade do edifício da entidade, que passa por ampla reforma.

Apesar de Harrisson ter sido o arquiteto principal da obra, ele levou muito em consideração os planos de Niemeyer, favorecendo o brasileiro em detrimento de Le Corbusier, diz Adam Bernstein, no obituário do Washington Post. "Niemeyer pode ter sido educado diante de um homem que ele considerava um gigante, mas ele disse ter sido difícil voltar a confiar em Le Corbusier", escreveu, depois de os dois supostamente terem se desentendido sobre o projeto da ONU.

O edifício, em Manhattan, é bem visível do outro lado do East River, nas regiões do Queens e do Brooklyn. Para muitos nova-iorquinos, o projeto dá certa autonomia ao prédio, que em nada lembra as demais construções da cidade.

Segundo Nicolai Ouroussoff, em obituário amplo destaque na edição impressa do The New York Times, o status internacional de Niemeyer foi consolidado na exibição Brazil Builds, no Museu de Arte Moderna (MoMA) em 1943, "quando seu trabalho foi apresentado para a audiência americana". Além da ONU, Ourussoff lembra que Niemeyer foi escolhido para planejar um centro empresarial em Miami. Mas os EUA, em meio à Guerra Fria, negaram um visto a ele devido ao seu passado comunista.

O jornal lembra que, ainda nos anos 1960, Niemeyer desenhou uma casa em Santa Mônica que nunca teve a chance de visitar.

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