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Jornalista levará a Dilma plano de prevenção ao estupro

RAFAEL MORAES MOURA - Agência Estado

10 Abril 2014 | 14h 34

A presidente Dilma Rousseff conversou na manhã desta quinta-feira com a jornalista Nana Queiroz, que se comprometeu a apresentar na próxima semana um plano voltado para a atuação de professores e médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) na discussão e auxílio à vítimas de estupro. Nana é fundadora do movimento "Eu não mereço ser estuprada", que ganhou repercussão nas redes sociais e imprensa após a divulgação de dados de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre violência contra mulheres.

"No DF, são mais de 80% dos casos (de estupro dentro da própria família), ninguém dialoga sobre isso, e nós estamos pedindo o apoio da presidente pra implantar um plano federal que envolva professores e médicos do SUS no pré-natal pra informar mães, alunos sobre como prevenir o estupro. Ela (Dilma) se comprometeu em ler e analisar nossas ideias", afirmou Nana a jornalistas, após o encontro, do qual participaram outros movimentos ligados à juventude.

De acordo com Nana, os professores deverão estar preparados para identificar sinais de que a criança está sofrendo abuso contínuo. "Uma outra ideia que funcionou em outros países, que vamos sugerir pra presidente, é que médicos no SUS logo no trabalho de pré-natal com as mães informem a elas que o estupro acontece dentro de casa na maior parte dos casos, como prevenir e como reconhecer os sinais", comentou. "como o estupro intrafamiliar é maior (no número de casos) e mais complexo, o tabu é ainda maior."

Erro.

Na semana passada, o Ipea admitiu publicamente que o principal dado da pesquisa sobre a violência contra as mulheres estava errado. Ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, o órgão informou que 26% dos brasileiros, e não 65%, concordam, total ou parcialmente, com a afirmação de que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". Apesar do erro, a avaliação de Nana é a de que a repercussão da pesquisa mobilizou a sociedade brasileira em torno do debate e lançou luz sobre a violência sexual cometida contra mulheres.