Jornalista que revelou 'Vatileaks' fica sem credencial

Enquanto cardeais clamam por maior transparência na Igreja, o Vaticano negou ontem a credencial para que o jornalista italiano que revelou os bastidores da Santa Sé possa cobrir a partir de hoje o conclave. Gianluigi Nuzzi publicou em 2012 Sua Santidade, um livro com base em documentos secretos que mostraram corrupção, crimes e uma disputa de poder intensa dentro da Igreja.

O Estado de S.Paulo

12 Março 2013 | 02h02

As revelações causaram um verdadeiro tsunami no Vaticano, com a abertura de investigações sobre o vazamento dos documentos - o que passou a ser conhecidos como Vatileaks. Nuzzi atacou a decisão da Igreja. "É a opção pelo obscurantismo, longe da transparência e da liberdade de imprensa", escreveu no Twitter.

Nuzzi havia feito o pedido de credenciamento para atuar pelo canal de tevê La7. Ontem, recebeu uma carta do Vaticano negando seu passe, sem qualquer explicação. Jornalistas e entidades na Itália reagiram, pedindo que o Vaticano não dê o exemplo de coibir a imprensa, justamente no momento que se pede uma reforma da entidade.

A partir de hoje, o Vaticano adota um "blecaute" para evitar que todo tipo de informação possa eventualmente vazar do conclave. Aparelhos foram colocados para impedir que haja recepção de celular no local e a internet foi cortada. Além dos 115 cardeais, cerca de 90 funcionários que estarão servindo o conclave - como médicos, enfermeiras, irmãs, cozinheiros e seguranças - tiveram de jurar que não revelarão nada do que ocorrerá na Capela Sistina. / J.C.

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