Kindle, da Amazon, inova, mas é barrado a não-americanos

"As pessoas estão à espera de um ‘iPod para livros’", diz o diretor executivo da editora Nova Fronteira, Mauro Palermo. "O iPod criou uma ruptura no mercado da música que ainda não aconteceu com os livros." E o Kindle, da Amazon? "Ele é o walkman dos livros", brinca. "O livro do futuro tentará simular o livro como nós o conhecemos e amamos. Nem que seja só para acomodar obsoletos como eu", disse Luis Fernando Verissimo. Além de possuir uma tela fosca, que não emite luz e busca reproduzir uma folha de papel – muito diferente da de um laptop –, o Kindle é alimentado pelo vasto acervo da pioneira loja online Amazon, com mais de 145 mil títulos digitais (em inglês). O aparelhinho, que custa US$ 359, pode guardar até 200 e-books ou audiolivros (o Kindle também permite ouvir as obras). Mas, além da barreira do idioma, um dos problemas para a disseminação do aparelhinho pelo mundo é que a Amazon comercializa o Kindle apenas em seu site (http://tinyurl.com/thekindle) e para moradores dos EUA (é preciso ter um endereço no país). Na hora de comprar os livros digitais, pessoas que não moram nos EUA voltam a enfrentar dificuldades. A publisher da "PC World", Silvia Bassi, que comprou o seu durante uma viagem aos EUA, usa uma artimanha para alimentá-lo. Ela compra um "gift card" (vale-presente) e presenteia a si mesma. Depois, usa esse crédito para comprar os livros. "A idéia é genial, e a tela é fantástica", garante. Especula-se que, em nove meses, 240 mil unidades tenham sido vendidas, embora a Amazon não divulgue números. Para quem acha que o Kindle ainda não é tudo isso e aguarda o tal "iPod para livros", uma notícia. No começo do ano, Steve Jobs disse, ao falar sobre o Kindle, que ele nasceu morto, já que, segundo o fundador da Apple, os americanos abandonaram a leitura. Tratando-se do Sr. Apple, isso pode querer dizer duas coisas: 1) ele acredita no está falando e ponto final ou 2) ele está preparando um e-book reader matador para concorrer com o Kindle.

Bruno Galo,

11 Agosto 2008 | 00h00

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