Líder de oposição em Cuba pede libertação de dissidentes

Oswaldo Payá respondeu a pronunciamento de presidente interino durante data nacional.

BBC Brasil, BBC

27 Julho 2007 | 19h12

O líder dissidente cubano Oswaldo Payá pediu nesta sexta-feira a "libertação imediata" de todos os presos políticos de Cuba e a realização de eleições multipartidárias no país. Payá fez a declaração em resposta a um pronunciamento feito nesta quinta-feira pelo presidente interino de Cuba, Raúl Castro, durante as comemorações do aniversário do início da Revolução Cubana, há 48 anos. Segundo Payá, que lidera o grupo de oposição Movimento Cristão Liberação, banido em Cuba, "a libertação dos cubanos que estão encarcerados por exercer, defender e promover pacificamente os direitos humanos deve ser imediata e incondicional". "Este regime castigou, excluiu e em muitos casos encarcerou muitas pessoas apenas por elas pensarem de forma diferente e serem capazes de expressar o que pensam, por manifestar suas críticas e seu inconformismo, por denunciar injustiças e propor mudanças." Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, há pelo menos 67 prisioneiros políticos nas prisões cubanas. O governo de Havana alega que os opositores presos e outros que permanecem em liberdade, como Payá, são mercenários políticos pagos pelos Estados Unidos para desestabilizar o regime. Além de pedir a libertação dos presos, Payá, que vive em Cuba, pediu a criação de uma "nova lei eleitoral, que permita que os cubanos possam realmente eleger seu governo e seu parlamento". Cuba vai às urnas para eleger uma nova Assembléia nacional no ano que vem, mas todos os candidatos precisam ou ser membros do Partido Comunista ou serem aprovados por ele. Nesta quinta-feira, Raúl Castro manifestou o interesse de retomar o diálogo com os Estados Unidos, que impõe há 45 anos um embargo ao regime cubano. "Reafirmamos a disposição de discutir em pé de igualdade nossas duradouras diferenças com os Estados Unidos, convencidos de que os problemas deste mundo, cada vez mais complexos e perigosos, só tem solução por essa via", disse. Comentando as palavras do presidente interino, Payá pediu a Castro que promova um diálogo franco com o povo cubano no futuro, e não só com os Estados Unidos. As celebrações desta quinta-feira do início da Revolução Cubana foram as primeiras em que o presidente Fidel Castro não esteve presente desde que ele assumiu o poder, em 1959. Fidel está afastado do cargo há quase um ano devido a problemas de saúde. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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