Liga Árabe nega visita oficial a Israel

Secretário disse que encontro em Jerusalém é iniciativa isolada de Jordânia e do Egito.

BBC Brasil, BBC

25 Julho 2007 | 09h26

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, se distanciou nesta quarta-feira de uma visita que os ministros do Exterior do Egito e da Jordânia estão realizando a Israel para discutir um plano de paz para o Oriente Médio. Em uma entrevista à BBC, Moussa disse que os ministros não receberam mandato para negociar em nome da Liga, mas apenas sondar a intenção israelense de iniciar negociações. "Eles não estão atuando sob a bandeira da Liga Árabe. Não estão indo (a Israel) em nome da Liga Árabe nem foram enviados como delegados da Liga Árabe", disse Moussa. "Portanto, eles não podem iniciar as negociações em Israel afirmando que a Liga Árabe envia suas saudações. Eles representam dois países árabes que por certas circunstâncias entraram nos acordos de paz e em relações diplomáticas com Israel." Os ministros de Egito e Jordânia - os únicos países do Oriente Médio que reconhecem Israel - estão apresentando uma proposta de reconhecimento de Israel por todos os países árabes em troca da retirada israelense de todos os territórios ocupados. A visita de Abdelelah al-Khatib, da Jordânia, e Ahmed Aboul Gheit, do Egito, estava sendo interpretada como uma aproximação da Liga Árabe. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, saudou a iniciativa, e disse que o encontro contém pontos positivos que poderiam servir de base para futuras negociações. Já o líder do partido oposicionista Likud, Binyamin Netanyahu, rejeitou a visita. Para ele retiradas israelenses dos territórios ocupados não colaboram para a paz, e sim criam o que ele chamou de bases terroristas para o Islamismo radical. O plano que os ministros árabes apresentaram a Israel havia sido proposto em 2002, mas na época Israel respondeu friamente. Recentemente, no entanto, disse que estaria disposto a rediscutir a iniciativa árabe. Mas a correspondente da BBC em Jerusalém, Bethany Bell, disse que diversos especialistas viram a iniciativa com profundo pessimismo, duvidando que os novos passos possam alcançar uma solução para o conflito. Em sua edição desta quarta-feira, o jornal israelense Haaretz disse que Israel estaria considerando um "acordo de princípios" em que aceitaria a criação de um Estado palestino em 90% dos territórios ocupados. Ainda segundo o diário, Israel poderia concordar com a construção de um túnel ligando a Cisjordânia à Faixa de Gaza, além de estabelecer os territórios onde Israel manteria seus assentamentos. Enquanto isso, o rei da Jordânia, Abdullah, está em Washington, onde na terça-feira teve um jantar fechado com o presidente americano, George W. Bush. Durante o encontro, o rei jordaniano pediu a Bush que aumente os esforços americanos para que o plano de paz para a região seja posto em prática. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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