Liga Árabe visita Israel para discutir plano de paz

Em encontro inédito, premiê israelense recebe ministros da Jordânia e do Egito.

BBC Brasil, BBC

25 Julho 2007 | 07h16

Uma delegação da Liga Árabe está em Israel nesta quarta-feira para discutir detalhes de um possível plano de paz para o Oriente Médio. Esta é a primeira vez que enviados da Liga Árabe vão a Israel tentar negociar uma solução para o conflito na região. A delegação é formada pelos ministros do Exterior do Egito e da Jordânia, únicos países árabes a reconhecerem a existência de Israel e a terem assinado acordos de paz com o país. Abdelelah al-Khatib, da Jordânia, e Ahmed Aboul Gheit, do Egito, serão recebidos pelo primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. Durante a reunião, os ministros árabes esperam retomar discussões sobre o plano de paz que defendem para o Oriente Médio. A correspondente da BBC em Jerusalém, Bethany Bell disse que apesar da visita árabe estar sendo considerada por alguns observadores como parte de uma crescente atividade diplomática que tenta reativar o fracassado plano de paz para a região, diversos especialistas vêem a iniciativa com profundo pessimismo e duvidam que os novos passos possam realmente levar alguma solução para o conflito. A iniciativa prevê que os países árabes estabeleçam boas relações com Israel, em troca da total retirada dos assentamentos israelenses dos territórios palestinos ocupados, da criação de um estado palestino e de uma solução para o problema dos refugiados palestinos. O plano havia sido proposto em 2002, mas na época Israel respondeu friamente. Recentemente, no entanto, disse que estaria disposto a rediscutir a iniciativa árabe. Em sua edição desta quarta-feira, o jornal israelense Haaretz disse que Israel estaria considerando um "acordo de princípios" em que aceitaria a criação de um estado palestino em 90% dos territórios ocupados. Ainda segundo o diário, Israel vai propor a construção de um túnel ligando a Cisjordânia à Faixa de Gaza, além de estabelecer os territórios onde Israel manteria seus assentamentos. Enquanto isso, o rei da Jordânia, Abdullah, está em Washington, onde na terça-feira teve um jantar fechado com o presidente americano, George W. Bush. Durante o encontro, o rei jordaniano pediu a Bush que aumente os esforços americanos para que o plano de paz para a região seja posto em prática. "O rei disse (a Bush) que espera que uma paz ampla e justa possa emergir de uma solução que contemple todas as questões pendentes entre palestinos e israelenses, incluindo o problema das fronteiras e dos refugiados", relatou um comunicado liberado pela embaixada da Jordânia nos Estados Unidos. Gordon Johndroe, porta-voz do Departamento de Segurança Nacional americano disse que "Bush continua comprometido com a existência de dois estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado em paz e segurança". Tony Blair, enviado especial do Quarteto (EUA, ONU, Rússia e União Européia) ao Oriente Médio continua sua viagem pela região. Depois de passar pela Cisjordânia nesta terça-feira, o ex-primeiro-ministro britânico segue para o Barein e Abu Dahbi. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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