Ligar Lula ao mensalão é 'indignidade', diz ministro

Gilberto Carvalho classificou tentativa de empresário como desespero e oportunismo

Hugo Bachega, Reuters

12 Dezembro 2012 | 12h34

BRASÍLIA - A tentativa do empresário Marcos Valério de envolver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão é uma "indignidade", disse nesta quarta-feira, 12, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que considerou o gesto como "desespero" para diminuição da pena.

Valério, apontado como operador do mensalão e condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no esquema, disse que Lula autorizou os empréstimos bancários ao PT que seriam utilizados na compra de apoio parlamentar, segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo na última terça.

As declarações foram dadas por Valério em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR) em setembro, ao qual o Estado teve acesso.

"Querer tentar atingir o presidente Lula através de uma campanha baseada em um gesto de desespero oportunista desse cidadão (Valério) é, a meu juízo, uma indignidade", disse o ministro.

"O que esse senhor tem revelado, particularmente naquilo que diz respeito ao presidente Lula, é de uma falácia, é de uma falsidade impressionante. E me impressiona a credibilidade que se dá a esse cidadão nessa hora", disse.

No depoimento, Valério diz que Lula deu "ok" aos empréstimos numa reunião no Palácio do Planalto junto com o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o tesoureiro do PT à época, Delúbio Soares. O empresário disse também que Lula teria tido gastos pessoais pagos com esses recursos.

Carvalho, que também foi ministro no governo Lula, disse que "nada" que Valério falar pode atingir o ex-presidente e negou qualquer preocupação com eventuais declarações do empresário. "Ele (Lula) está sem nenhum medo, apenas profundamente indignado com a atitude desse senhor", afirmou o ministro. Lula disse na última terça que as declarações de Valério são "mentiras".

O mensalão foi um esquema de desvio de recursos públicos para a compra de apoio parlamentar na base aliada do governo, segundo o STF. O esquema veio à tona em 2005 e foi a pior crise política do ex-presidente Lula.

"Nós não estamos preocupados, porque o presidente Lula não tem nenhuma participação, sequer conhecimento, da maioria desses fatos que são agora arrolados", disse.

Dirceu, então homem forte do governo, foi apontado pela maioria do STF como mentor e "chefe da quadrilha" do mensalão, e condenado a 10 anos e 10 meses de prisão. Ele deverá cumprir parte da pena em regime fechado. Delúbio também foi condenado, a 8 anos e 11 meses.

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