Lula condiciona corte de CO2 a meta internacional única
O governo brasileiro não vai apresentar uma meta própria de redução de emissões de CO2 antes da 15ª Conferência do Clima (COP 15) das Nações Unidas, marcada para Copenhague, em 7 de dezembro. Ontem, em visita oficial a Londres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condicionou a fixação de números por parte do Brasil a acerto internacional sobre metas únicas, de toda a comunidade internacional, para a redução de emissões de gases de efeito estufa, de captura de carbono da atmosfera e de "desaquecimento global".
Na prática, Lula admitiu que o governo não baterá o martelo em torno de uma cifra, como os 40% de redução de emissões de CO2 defendidos pelo Ministério do Meio Ambiente. Questionado pelo Estado se o Brasil apresentaria uma meta própria - que em tese estimularia outros países a fazerem o mesmo -, o presidente lembrou que já assumiu o compromisso de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80%, e respondeu: "Não. O Brasil leva os compromissos do Brasil para consigo mesmo. Nós vamos assumir um compromisso junto com a comunidade internacional com um número construído junto com a comunidade internacional".
Lula justificou sua decisão afirmando que o país não quer dizer ao mundo o que fazer. "O que nós não queremos é chegar com os nossos números e tentar impô-los à comunidade internacional. Nós queremos dizer: temos tais compromissos, vamos fazer tais coisas - desde a recuperação de terras degradadas, desde o zoneamento agroecológico, até a questão do desmatamento, do biodiesel", explicou. "Mas esses são os compromissos brasileiros. Para o resultado do acordo, queremos construir uma proposta conjunta."
Mesmo sem apresentar cifras, Lula se sentiu no direito de criticar as metas propostas pela União Europeia. O bloco de 27 países costuma ser elogiado por organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas por ter assumido, de forma unilateral, o objetivo de reduzir em 20% as emissões de CO2 até 2020, cifra que pode chegar a 30% em caso de acordo com a comunidade internacional. "Nós achamos que o número da União Europeia é insuficiente", disparou, sem precisar a que número se referia.
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