Lula diz não acreditar em dobradinha Serra-Aécio para 2010

'Eu não sei se dois Coutinhos, dois Tostões... se saem bem no mesmo time', disse o presidente

Reuters,

21 Dezembro 2009 | 12h18

Lula pega nos cabelos do vice-presidente, José Alencar, e brinca com fotógrafos. Dida Sampaio/AE 

 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira não apostar que o PSDB consiga unir os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) em uma mesma chapa à Presidência no ano que vem.

Aécio abriu mão da pré-candidatura na semana passada. Em privado, diz querer lançar-se ao Senado, apesar dos apelos da cúpula tucana para que dispute a vice, tendo Serra na cabeça de chapa. Para o partido, uma dobradinha seria fundamental à eventual vitória da oposição.

"Eu não sei se dois Coutinhos, dois Tostões... se saem bem no mesmo time", disse o presidente em um café da manhã com os jornalistas que cobrem o Planalto.

A frase faz alusão aos craques do futebol. O presidente informou que ainda não conversou com o governador de Minas após a decisão, mas irá procurá-lo ao final das festas de natal e ano-novo.

Lula indicou a razão de querer uma disputa plebiscitária entre Serra e sua pré-candidata, ministra Dilma Rousseff: fica mais fácil transferir votos numa disputa polarizada.

É exatamente por conta dessa lógica que não descarta conversar com seu aliado, deputado Ciro Gomes (PSB), a quem desfilou uma série de elogios nesta manhã. Ciro é pré-candidato à Presidência e, ao que consta nas pesquisas, tem ajudado Dilma tirando votos do tucano paulista.

"Se eu perceber que o momento político não comporta dois candidatos da base, eu vou discutir com ele."

Houve recado também ao PT de São Paulo. Nas palavras do presidente, o PT "precisa procurar seu José de Alencar", em referência a 2002, quando escolheu seu vice no setor empresarial para ganhar a diferença de votos --em geral os mais conservadores-- necessária para vencer as eleições daquele ano.

Segundo ele, a sigla sempre procura no Estado aliados no espectro político de sempre: a esquerda.

"É a soma do zero com o zero", resumiu.

O conselho poderia facilmente ser estendido a Estados onde o PT impõe dificuldades a uma aliança local com PMDB --imprescindível à formação do consórcio nacional que tenta empreender.

Lula elogiou o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP). Disse tratar-se de um bom companheiro, mas não fez o gesto esperado por Temer de rever a defesa feita alguns dias atrás de uma lista tríplice para escolha do vice na chapa de Dilma. O peemedebista é o principal cotado ao posto dentro do partido, e não gostou nada do comentário de Lula sobre a inclusão de novos nomes.

Uma coisa é certa, argumentou o presidente, a vaga de vice tem mesmo de ficar com o PMDB.

CLIMA

Após o fracasso das negociações sobre clima, em Copenhague, Lula afirmou que o encontro do México, em 2010, pode chegar a bom termo.

Afirmou, ainda, não ter aceitado na Dinamarca a proposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de monitorar as ações dos países contra o aquecimento global nos moldes da fiscalização empreendida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Questionado se está havendo uma inflexão nas relações entre Brasil e EUA --sobretudo após a crise política em Honduras-- o presidente disse que ainda reserva boas expectativas em relação ao colega e que, igualmente, acredita que ele fará uma boa administração.

"Sou um otimista", garantiu.

(Edição de Carmen Munari)

 

 

 

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