Mães marcham em São Paulo contra restrições a doulas

Mães e pais vestidos de vermelho e branco levaram, no domingo (02) bebês de colo e crianças em carrinhos para marchar pela Avenida Paulista, em São Paulo, contra a restrição da presença de doulas (ajudantes para a gravidez e o parto) em dois hospitais particulares da capital paulista. Cerca de 500 pessoas engajadas no Movimento de Humanização do Parto participaram do protesto. Elas caminharam com cartazes e balões de ar coloridos do edifício da TV Gazeta até o Hospital e Maternidade Santa Joana e a Maternidade Pro Matre Paulista - alvos da manifestação.

FELIPE FRAZÃO, Agência Estado

04 Fevereiro 2013 | 08h57

Na semana passada, os dois hospitais passaram a limitar o acesso de acompanhantes profissionais. Eles afirmaram que a medida tinha objetivo de reduzir os "índices de infecção hospitalar das maternidades".

Dias depois, os hospitais (do mesmo grupo empresarial) afirmaram que o acesso das doulas aos partos normais seria liberado com base em um cadastro nas maternidades. A justificativa é "garantir qualidade e segurança" de gestantes e recém-nascidos. As maternidades disseram, em nota, que as doulas não credenciadas só poderiam participar dos partos como acompanhantes. Nesse caso, as gestantes teriam direito a apenas uma pessoa na sala de parto - o que deixaria o marido ou algum outro familiar sem acesso.

Na marcha, as militantes cantaram marchinhas de carnaval satirizando a limitação às doulas. E repudiaram o nascimento por cesariana. Ativistas insinuaram que a intervenção seria mais lucrativa para o hospital e causadora de infecções com um cartaz: "90% de cesáreas e o problema são as doulas?". O cadastramento foi criticado porque exige indicar a formação de psicóloga, enfermeira, terapeuta ou fisioterapeuta.

As doulas não têm formação regulamentada. E atendem apenas a cursos oferecidos por instituições particulares. "Não é cadastro de doulas, porque elas não são profissionais de saúde. As que não são fisioterapeutas, enfermeiras ou psicólogas continuam não podendo trabalhar", disse a obstetriz e coordenadora do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama) Ana Cristina Duarte.

Estudante de obstetrícia, a bióloga e doula Gisele Leal, de 36 anos, relatou ter sido barrada na segunda-feira (28/01) quando tentava acompanhar o parto de uma cliente na Pro Matre: "Na recepção disseram que a doula estava proibida. Tive de entrar como amiga e o marido ficou de fora". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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