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Manifestantes queimam bandeiras do Brasil e fecham vias no centro do Rio

RODRIGO VIGA GAIER - REUTERS

12 Junho 2014 | 12h 55

Manifestantes contrários à realização da Copa do Mundo fecharam parcialmente nesta quinta-feira as duas principais avenidas do centro do Rio de Janeiro, em uma marcha de protesto no dia da abertura do Mundial, e queimaram bandeiras do Brasil horas antes da partida entre a seleção brasileira e a Croácia, em São Paulo.

Cerca de 1.000 manifestantes, segundo a polícia, saíram em marcha da Candelária em direção à Cinelândia carregando cartazes contra a Copa do Mundo e denunciando a má qualidade do atendimento público em áreas como saúde, educação e transporte.

À frente do protesto, manifestantes mascarados, conhecidos como black blocs, queimaram bandeiras do Brasil.

"Fifa Go Home", "Estádio Luxo, Hospital Lixo" e "Cadê o trem-bala?" eram algumas das frases escritas nos cartazes levadas pelos manifestantes, que fecharam parte das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco.

A Polícia Militar destacou diversos homens para acompanhar a manifestação, que estava transcorrendo de forma pacífica, ao contrário dos incidentes de violência ocorridos em São Paulo também em manifestações contra o Mundial nesta quinta. [ID:nL2N0OT0UJ]

"Eu até gosto de futebol, mas a maneira que foi feita essa Copa a gente não pode concordar", disse um manifestante que se identificou apenas como Luciano e disse ser servidor público.

    "A gente não protestou em 2007 quando o Brasil foi escolhido porque não tinha ideia da sangria que ia ser no país. O lucro fica com a Fifa e os patrocinadores, e o povo com nada. É um evento elitizado, mas quem paga é o povo", disse.

Temendo uma repetição dos atos de vandalismo ocorridos nos protestos do ano passado durante a Copa das Confederações, lojas e agências bancárias do centro do Rio estavam com portas fechadas ou com tapumes de madeira na fachada.

Mais cedo, um protesto formado por poucos aeroviários, que convocaram uma paralisação de 24 horas, bloqueou a avenida que dá acesso ao aeroporto internacional do Galeão, provocando grande congestionamento na região.

A Copa do Mundo tem sido alvo de protestos desde o ano passado. Manifestantes insatisfeitos com os investimentos no torneio, cujos gastos totalizaram 25,8 bilhões de reais, têm tomado as ruas de cidades do país para protestar contra serviços públicos deficitários nas áreas de saúde, educação, transporte e segurança.

A segurança nas cidades-sede da Copa foi reforçada para conter possíveis protestos, como os ocorridos no ano passado durante a Copa das Confederações. Dezenas de atos contra a Copa foram marcados, por meio de redes sociais, para o dia de abertura do torneio. Além disso, greves de diferentes categorias ameaçam prejudicar a realização do torneio.

Os preparativos do Brasil para a Copa foram alvo de críticas pelos atrasos e não realização de projetos de infraestrutura que haviam sido prometidos. Dos 12 estádios, apenas dois ficaram prontos no prazo determinado pela Fifa, e a maioria das obras de infraestrutura atrasou, sendo que algumas delas foram abandonadas.