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Massacre na Nigéria deixa 528 cristãos mortos

AFP, REUTERS E AP, LAGOS - O Estadao de S.Paulo

09 Março 2010 | 00h 00

Pastores muçulmanos cortaram homens, mulheres e crianças a golpes de facão; Vaticano evita atribuir onda de ataques a motivos religiosos

Pelo menos 528 agricultores de aldeias cristãs foram assassinados desde sábado em confrontos com pastores muçulmanos no centro da Nigéria, o país mais populoso da África. Em pelo menos três aldeias ao sul de Jos, capital do Estado de Plateau, homens, mulheres e bebês foram cortados a golpes de facão e tiveram seus corpos queimados.

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, ordenou que a polícia nigeriana ficasse em estado de alerta máximo para impedir novos ataques. O Vaticano manifestou "dor e preocupação" pela "horrível violência", mas seu porta-voz, Federico Lombardi, evitou fazer comentários de natureza étnica ou religiosa.

John Onaiyekan, arcebispo nigeriano da capital, Abuja, disse que a onda de violência é "um clássico conflito entre pastores e agricultores, só que, neste caso, os pastores são todos muçulmanos e os agricultores são todos cristãos". Segundo ele, as pessoas foram mortas "por reivindicações sociais, não por religião".

Peter Gyang, morador da aldeia de Dogo Nahawa, a mais afetada pelos ataques, disse que os pastores "dispararam para assustar as pessoas e, em seguida, mataram todos com golpes de facão".

Segundo ele, o ataque começou às 3 horas (horário local) e durou até as 6 horas. Durante todo o período, "não foi visto nenhum policial".

O Fórum dos Cristãos do Estado de Plateau publicou um comunicado no domingo no qual acusa o Exército nigeriano de passividade diante dos ataques. "Por que os soldados não intervieram?", perguntou a ONG.

A região já estava sob toque de recolher, que durava das 18 horas às 6 horas, desde janeiro, quando 326 pessoas morreram em confrontos semelhantes nos arredores de Jos, segundo a polícia.

Grupos de direitos humanos falam, entretanto, em mais de 400 mortos nos choques do início do ano.

HORROR

"Aparentemente, a ação estava bem coordenada. Os agressores lançaram ataques de forma simultânea. Muitas casas foram queimadas", disse Shamaki Gad Peter, responsável por uma organização local de direitos humanos, que percorreu as três aldeias afetadas pela onda de violência.

Outra testemunha disse que o grupo de pastores que atacou as aldeias tinha entre 300 e 500 membros. No domingo, centenas de corpos ainda estavam jogados nas ruas, muitos deles sem mãos e pés.

Dezenas de trabalhadores humanitários, vestindo luvas brancas de borracha, trabalhavam na remoção dos corpos. Entre os mortos, há muitas crianças. Os cadáveres estão sendo enterrados em valas coletivas.

O ataque foi cometido por pastores nômades da etnia fulani, de maioria muçulmana, contra os pastores sedentários conhecidos como berom.

Uma fonte do governo citada pela agência de notícias France Presse confirmou que relatórios internos do serviço de inteligência da polícia atribuem a onda de ataques a "grupos islâmicos", que já vinham incitando a violência contra os berom.

Ontem, o comércio das cidades de Plateau estava de portas fechadas. A maioria dos moradores permaneceu em suas casas, trancados, temendo uma nova onda de ataques.

Desde 1999, pelo menos 14 mil pessoas morreram em conflitos étnicos e religiosos na Nigéria, de acordo com o International Crisis Group, com sede em Bruxelas, na Bélgica.

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