'Médica do plano diz que só faz cesárea'

Quando fiquei grávida da Isis, hoje com 3 anos de idade, tive dificuldade para encontrar um obstetra de convênio disposto a fazer o parto normal.

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2012 | 02h03

A médica que me acompanhava avisou: 'Só faço cesárea. Não quero levantar no meio da noite para ir correndo para um hospital. Se você quiser assim, podemos ir adiante.'

Eu topei. Na época, era uma alternativa cômoda sob vários aspectos. Sobretudo financeiramente. Nunca sabemos quanto vamos gastar com enxoval, com fraldas, qual vai ser o impacto disso tudo nas contas domésticas. É um período de bastante insegurança.

Nessas condições, a ideia de gastar ainda mais para tentar fazer um parto normal - que nunca sabemos ao certo se de fato vai ocorrer - foi fácil de ser descartada.

Programamos o parto para o início da 38.ª semana de gestação. Conciliei com a folga no meu trabalho.

Deu tudo certo, Ísis nasceu forte. Mas a minha recuperação não foi tão boa quanto a das minhas amigas que fizeram parto normal.

Nos primeiros dias, eu não tinha a autonomia que gostaria para tomar banho. E também senti dores.

Isso acabou pesando para a minha nova escolha. Logo que eu soube que estava grávida pela segunda vez, há seis meses, decidi procurar um profissional que estivesse disposto a fazer o parto normal.

Motivos. Mudei de estratégia nessa segunda gravidez por dois motivos. Quero estar bem para dar atenção para a Isis quando o Augusto nascer. Para ela, será muito importante eu estar disponível. Também estou mais madura. Hoje, sei da importância de investir na minha saúde e na saúde do bebê.

Mas não há dúvida de que essa é uma opção cara. Poucos têm acesso. Eu mesma só estou fazendo isso graças à ajuda da minha mãe.

Uma coisa é certa: a diferença de tratamento é revoltante. No segundo mês de gestação, quando ainda não havia decidido o que fazer, fui na mesma semana a dois médicos: um era de convênio e a outra prestava atendimento particular.

O médico de convênio pegou meu exame de gravidez positivo, felicitou-me de forma protocolar, deu uma lista de exames e me mandou voltar assim que os resultados estivessem prontos. Tudo levou menos de 10 minutos.

Dias depois fui à médica particular. Ela pediu os mesmos exames, também desejou felicidades. A diferença é que ela me examinou, fez várias perguntas sobre a minha saúde, a da minha família, sobre a primeira gestação.

Disse que poderíamos tentar o parto normal. Avisou que seria importante eu tomar alguns cuidados. Deu o telefone para casos de emergência.

Senti-me atendida, segura. Ao mesmo tempo, fiquei triste. Esse deveria ser o atendimento padrão, não a exceção.

Hoje, ter parto normal virou um luxo ou um ato de coragem. Só é possível em três condições. Pagar por fora o médico de convênio ou um médico particular, fazer o parto num hospital público ou procurar um profissional de plantão, num hospital de convênio. /L.F.

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