Meirelles: balanço de riscos não justificava corte do juro

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ressaltou nesta quinta-feira que a maioria dos membros do Copom discutiu a possibilidade de um corte do juro em 0,25 ponto percentual em sua última reunião, mas que os diretores concluíram, de forma unânime, que a cojuntura ainda exigia cautela. "O balanço de riscos não justificaria uma decisão diferente naquele momento", disse Meirelles em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele fez os comentários em resposta a uma intervenção do presidente da CAE, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que apontava uma possível contradição nas informações da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, divulgada nesta manhã. O senador questionou o fato de o Copom ter decidido pela manutenção da taxa em 13,75 por cento ao ano apesar de a maioria dos diretores ter, em sua opinião, se mostrado favorável a um corte de 0,25 ponto. "Não há contradição", disse Meirelles, ressaltando que a ata do Copom afirmou que o corte de 0,25 ponto foi apenas considerado. Meirelles afirmou que, de maneira geral, é "normal" que determinadas decisões dos bancos centrais sejam alvo de crítica, uma vez que o papel das autoridade monetárias é "atuar prospectivamente". "Seria até estranho se todas as decisões fossem muito populares", disse. Para Meirelles, o histórico recente de crescimento do país e o comportamento da inflação contestam críticas de que o nível de juros seria um obstáculo à atividade econômica ou superior ao necessário. Ele reiterou ainda que o BC está preparado para tomar "todas as medidas necessárias para preservar a economia brasileira dos efeitos da crise". A preocupação central, segundo ele, é gerir a atual crise de liquidez, esforço que não deve se confundir com a política monetária. O Banco Central já injetou no mercado 9,8 bilhões de dólares em leilões de venda direta da moeda norte-americana desde a piora da crise externa até o último dia 16. Nesse mesmo período, a colocação de contratos de swap cambial tradicional --que funcionam como uma venda futura de dólares ao mercado-- somou 28,9 bilhões de dólares. As vendas de dólares com compromisso de recompra pelo BC foram de 10,8 bilhões de dólares e os empréstimos para comércio exterior totalizaram 2,4 bilhões de dólares. Meirelles informou também que, até 15 de dezembro, o efeito das medidas de redução de depósitos compulsórios foi de 98 bilhões de reais.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

18 Dezembro 2008 | 17h00

Mais conteúdo sobre:
MACRO MEIRELLES ATUA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.