'Melista' iniciante: com seringa ou espremedor?

Sem nunca ter tirado mel da colmeia, tive a sorte de encontrar um especialista para ajudar. Jerônimo Villas-Bôas, como eu, participou do Paladar - Cozinha do Brasil. Autor do Manual Tecnológico Mel de Abelhas sem Ferrão, deu uma aula sobre mel de abelhas nativas.

O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2012 | 03h12

O mais indicado é tirar o mel logo depois da fase de maior acúmulo, pouco depois do fim da primavera, no começo do ano. Mas não é toda hora que se tem um Villas-Bôas por perto - ele também coordena o projeto Meliponicultura no Parque Indígena do Xingu e, incrivelmente, não tem parentesco com os irmãos.

A extração não é rápida, mas é fácil e não oferece riscos. É só tirar a tampa da caixa, achar o ninho para protegê-lo e ir tirando, do entorno, os pequenos potes - cápsulas finas de cerume, mistura de cera e resina, do tamanho de cerejas, cheias ou de mel ou pólen. Há dois métodos de tirar o mel em casa: com uma seringa ou prensando os potes num espremedor de batatas - foi assim que fizemos. Das três caixas, saiu cerca de um quilo de mel, um bem valiosíssimo, não só porque é caro, mas porque foi produzido aqui e isso não tem preço. Deixamos um tanto para a provisão de inverno das jataís.

A massa de pólen foi tirada das cápsulas com uma colher de café e posta para secar em um saco de papel pendurado à sombra. Quando estava seco, passei por peneira para formar grãos e usar em saladas ou sobre frutas. Esse pólen, ao ser armazenado nos potes pelas abelhas, é processado com enzimas para melhor conservação. Por isso, no caso das abelhas nativas, tem outro nome: é o saburá ou samburá, com sabor levemente doce e ácido com notas de flores. Fica uma delícia com banana assada.

E produto de jataís não é só de comer. Podemos ainda ter um pouco de cerume. Grande parte pode ser devolvido à caixa - as jataís reaproveitam. Lavado, o cerume pode virar bolinhas. Flexível e modelável, pode ser guardado para serviços diversos de reparos e grude natural.

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