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Mercado prevê mais gradualismo na redução da Selic

23 de janeiro de 2012 | 13h 39
HÉLIO BARBOZA - REUTERS

Mesmo mantendo as projeções da Selic para o fim deste ano e do próximo, o mercado já espera mais gradualismo do Banco Central na condução da política monetária. Isso significa cortes na taxa básica de juros mais moderados a partir de abril, mas que devem durar mais tempo.

De acordo com a pesquisa Focus do BC divulgada nesta segunda-feira, os economistas consultados mantiveram suas contas para a Selic em 9,50 por cento para o fim de 2012 e em 10,25 por cento para 2013. No entanto, houve mudança na previsão do ritmo das alterações que o BC pode promover na taxa, hoje em 10,50 por cento ao ano.

As estimativas agora apontam para um corte de 0,50 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março, e de uma redução de 0,25 ponto percentual em abril. Ficaria nesse patamar até julho, quando um novo corte a levaria para 9,63 por cento ao ano e, em agosto, chegaria aos 9,50 por cento.

Até então, o mercado projetava Selic de 9,50 por cento já a partir de abril. O mercado passou a prever, portanto, que a redução da Selic para esse nível será feito por meio de mais quatro cortes na taxa, e não dois, como era previsto até pouco tempo atrás.

O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira é o primeiro após a decisão da última quarta-feira, quando o Copom do BC reduziu a Selic em 0,50 ponto percentual, em linha com as previsões dos analistas.

"O pessoal está achando que o quadro lá fora se acomodou e que a atividade econômica interna ganhou força", disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Nilton Rosa. "Se isso se confirmar, o BC talvez tenha de ser mais cuidadoso", acrescentou.

Caso o governo apresente um corte de 60 a 70 bilhões de euros no Orçamento deste ano e um superávit primário de aproximadamente 3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o mercado pode voltar a ajustar suas projeções para uma redução mais acelerada da Selic, segundo os especialistas.

"Fica claro que o governo vai buscar Selic de um dígito, mas se não vierem medidas fiscais o mercado não vai se convencer", complementou o sócio-gestor da corretora Leme Investimentos Paulo Petrassi.

A presidente Dilma Rousseff sancionou o Orçamento do governo federal para este ano na sexta-feira, abrindo a contagem regressiva para anunciar o contingenciamento do período.

A perspectiva para a inflação no final de 2012 diminuiu ligeiramente no relatório Focus divulgado nesta semana, para 5,29 por cento ao ano, contra 5,30 por cento no relatório anterior, seguindo uma trajetória de reduções milimétricas desde o ínício do ano.

No primeiro Focus de 2012, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) era de 5,32 por cento ao ano. Os números estão dentro da meta oficial do governo, de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

De acordo com o Focus, o mercado espera que a inflação caia para 5,00 por cento em 2013, a mesma estimativa trazida pelo relatório da semana passada. Já a projeção para a inflação nos próximos 12 meses baixou de 5,32 por cento na semana passada para 5,30 por cento.

A expectativa de crescimento econômico em 2012 foi mantida em 3,27 por cento. Para 2013, o mercado elevou a previsão de expansão do PIB de 4,20 para 4,25 por cento.


Tópicos: BACEN, FOCUS, ATUALIZA2*