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Migração do Nordeste para o Sudeste aumenta

Renan Carreira AGÊNCIA ESTADO - O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2010 | 00h 00

Comparação de dados de 2005 e 2008 mostra que cresceu número de viajantes com vínculo[br]formal de trabalho

Volta a crescer o número de migrantes que deixam a Região Nordeste e vêm para a Região Sudeste. É o que mostra o estudo Migração Interna no Brasil, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou os anos de 1995, 2001, 2005 e 2008.

A pesquisa aponta que, desde o começo da série (1995) até o ano de 2001, o fluxo do Nordeste para o Sudeste era maior que o fluxo inverso, situação que sofreu uma reviravolta nos sete primeiros anos da década de 2000.

Em 2008, o fluxo entre as duas regiões voltou a ser favorável ao Sudeste. A pesquisa dá como uma das explicações para essa alteração uma mudança de perfil dos migrantes. Segundo o instituto, "os migrantes do Nordeste para o Sudeste já gozam de melhor situação, em termos de formalização do trabalho, que a dos próprios trabalhadores não migrantes da Região Sudeste".

As Regiões Nordeste e o Sudeste do País concentram mais de 60% dos migrantes (aqueles que mudam de uma região para outra ou dentro da própria região).

O instituto utilizou para a análise dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e considerou como migrantes aqueles que mudaram de Estado nos cinco anos anteriores a cada uma das datas usadas.

Segundo o estudo, em 1995 o número de migrantes se aproximava de 4 milhões de pessoas - 3% da população. Já em 2008, o total caiu para 3,3 milhões (1,9% da população).

Proximidade. A pesquisa revela ainda que os fluxos migratórios não se dão apenas de regiões pobres para ricas. A migração do Norte, por exemplo, é maior para o Nordeste do que para o Sudeste nos anos analisados. O documento informa que "a ideia comum de exportação da pobreza de regiões menos desenvolvidas para outras de maior poder e dinamismo econômico deve sofrer, então, restrições, ou melhor, qualificações, já que a proximidade também é um fator relevante para explicar os fluxos".

A pesquisa do Ipea mostra que a alta escolaridade do migrante - com 12 ou mais anos de estudos - aumenta nos anos analisados. O mesmo ocorre com não migrantes, embora em um ritmo menor.

O estudo afirma que a escolarização aumenta a probabilidade de migração: o porcentual de migrantes com pelo menos 12 anos de estudo é maior que o de não migrantes nessa situação.

Na análise do que ocorre no Nordeste e no Sudeste é levada em consideração a distância da migração. O trabalho aponta que os mais escolarizados preferem migrar dentro da própria região, enquanto a decisão de mudar de região fica mais restrita aos menos escolarizados. O oposto acontece entre os migrantes das Regiões Sul e Centro-Oeste.

Os jovens da faixa etária de 18 a 29 anos são quase metade dos migrantes. Em 1995, do total de migrantes no País, o porcentual de jovens era de 49,9% e, em 2001, de 47,3%. Há cinco anos, o total era de 45,5%, índice pouco menor que o de 2008, de 45,6%.

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