Mineiros com um pé na Bélgica Cerveja de carnaval, que tal?

Randy Mosher já é praticamente um "brasilianista da cerveja". O designer de rótulos da bebida, radicado em Chicago (EUA) e no País pela quarta vez, já moldou a imagem de três microcervejarias daqui - a Colorado foi a primeira - e o fará com mais três, além de assinar a carta de cervejas do bar Melograno.

BOB FONSECA, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2012 | 07h51

Ele se diz surpreso com a evolução da bebida no Brasil desde 2009. "Quando vim pela primeira vez, só duas micros faziam IPAs. Hoje há várias". Mas defende que, para ter "cara" própria, a cerveja brasileira artesanal deve apostar mais na relação com produtores e culturas locais. "Ninguém faz cervejas de Carnaval no Brasil, é estranho. É uma festa enorme. Por que não tentar?"

Embora veja semelhança entre cervejeiros caseiros e microcervejarias do Brasil e de seu país, Mosher alerta para problemas que o cenário local da bebida pode enfrentar ao traçar um paralelo com o que ocorreu nos EUA. "Nos anos 90, houve um crescimento muito rápido do mercado cervejeiro lá, e algumas pessoas gastaram muito dinheiro com fábricas grandes, sem entender a natureza artística da bebida. Quem começou grande e rápido demais falhou", disse.

Segundo ele, grandes cervejarias tentaram "quebrar" as micros quando elas começaram a se multiplicar. "Elas (grandes fábricas) ainda tentaram se adaptar com novidades, mas isso só aumentou a curiosidade do consumidor por cervejas artesanais. É como diz a música da 1ª Guerra sobre soldados americanos: 'Como você vai mantê-los na fazenda depois que eles viram Paris?'"

Mosher ainda "cutuca" o status do vinho. " Desde a Antiguidade assume-se que o vinho é melhor do que a cerveja, e não é. A cerveja não pode deixar o vinho tomar essa posição sem desafiá-lo sempre." Na carta do Melograno, ele criou um "kit de degustação" para fãs de vinhos. "Eles já têm o paladar mais desenvolvido e estão mais preparadas para apreciar o mundo da cerveja."

A cervejaria Wäls, de Belo Horizonte, retomou sua inspiração belga na produção. Colocou no mercado a Wäls Witte, uma witbier condimentada com laranja-da-terra, pimenta-da-jamaica, coentro e outras especiarias. Trata-se de uma cerveja refrescante e aromática, embora tenha perdido parte dessa característica em relação ao chope. Para setembro, a Wäls planeja lançar uma saison, também da escola belga. A cerveja terá 6,9% de teor alcoólico e deve levar, na receita, abacaxi, amêndoas e limão, além de um reforço de lúpulo para o aroma.

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