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Ministro de Grenada quer ver assinatura dos EUA

AFRA BALAZINA, ENVIADA ESPECIAL - Agência Estado

08 Dezembro 2011 | 20h 43

Karl Hood, o ministro das Relações Exteriores de Grenada, um país insular do Caribe muito vulnerável às mudanças climáticas, exortou os americanos a pararem de falar que aceitam o acordo fora da sala de negociação e de fato assinarem um documento na 17.ª Conferência do Clima (COP-17), em Durban.

"Neste momento, não estamos interessados em declarações. Queremos um compromisso, respostas firmes. Se os Estados Unidos não estão mesmo bloqueando as negociações e estão prontos para seguir adiante, eu quero ver isso no texto, quero ver uma assinatura", afirmou.

Segundo ele, quando declarações são feitas fora da sala de negociação, "isso pode ir para qualquer direção". "Eu posso dizer uma coisa e mudar de ideia depois que sair pela porta", disse.

Hood falou com jornalistas em nome do grupo Aliança dos Pequenos Estados Insulares (Aosis), que reúne nações que sofrem principalmente com a subida do nível do mar. O ministro disse que não concorda com a campanha que diversas ONGs fizeram durante a COP-17 para que os americanos deixassem a negociação e parassem de atrapalhar o processo.

"Perguntar se eu quero que os EUA deixem as negociações é como me perguntar como eu quero morrer: se com um tiro ou com facada. Isso é inaceitável. Ficar sem os Estados Unidos é inaceitável", disse.

Ele afirmou que "a atmosfera é uma só, portanto qualquer poluição afeta toda a atmosfera". "Se fosse possível que a poluição de um país ficasse só sobre ele e se afetasse apenas a ele, tudo bem. Então poderiam poluir, matarem-se e nos deixar em paz. Mas todos os países precisam estar no mesmo barco."

Os EUA querem que as nações emergentes, principalmente a China, a maior poluidora atual, também tenham metas obrigatórias de corte de emissão. E não querem dar dinheiro ou transferir tecnologia para esses países - para não ajudá-los a se tornarem uma concorrência ainda melhor e mais limpa.

Condições - Os chineses disseram em Durban que aceitam um acordo com força de lei, mas impõem condições. A Índia joga mais duro, afirmando que ainda tem grande parte da sua população na pobreza e que quem causou o problema foram os países industrializados. Apesar disso, os indianos demonstraram hoje estar mais abertos à proposta da União Europeia.

A repórter viajou a convite da conferência do clima da ONU