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Ministro inaugura unidade de enriquecimento de urânio

Agencia Estado

05 Maio 2006 | 17h 39

Com discurso de que o País vai atingir a auto-suficiência na produção do combustível nuclear, a exemplo do que foi alcançado recentemente pela Petrobrás em relação ao petróleo, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, inaugurou nesta sexta-feira a primeira unidade de enriquecimento de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende, no Sul Fluminense. Durante entrevista, o ministro afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de arcar com um "pequeno ônus político junto a grupos ambientais", deve anunciar ainda este ano a retomada da construção da usina Angra 3. "Depois do que aconteceu com a Bolívia, estou convencido de que o governo como um todo está percebendo a importância de o País ter uma matriz energética diversificada", afirmou. Para o ministro, o investimento de R$ 550 milhões até 2010 para a conclusão da fábrica, quando a instituição passaria a enriquecer 60% do urânio necessário para abastecer as usinas de Angra, se justifica por questões estratégicas. "Em termos econômicos o investimento se paga em 10 anos. Mas o significado para a soberania do País é muito grande. Se a questão nuclear se agrava e há um pacto entre os países de deixarem de enriquecer urânio para os outros países, ficamos dependentes", afirmou. O enriquecimento do urânio é a fase mais cara da produção do combustível nuclear. A fábrica utiliza tecnologia nacional desenvolvida pela Marinha. As ultracentrífugas brasileiras são quase quatro vezes mais econômicas do que as tradicionais, utilizadas nos Estados Unidos e na Europa. As máquinas estiveram cercadas de polêmica. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) exigia visualização total dos equipamentos, a fim de garantir que eles não seriam usados para a produção de armas nucleares. O urânio para geração de energia é enriquecido a 4%. Já para a bomba, o minério precisa ser enriquecido em 90%. O governo permitiu maior visualização, sem comprometer o segredo industrial. O presidente das INB, Roberto Esteves, calcula que essa autonomia vá chegar em 2015. Esteves lembrou que o País detém o conhecimento tecnológico das cinco fases da fabricação do combustível nuclear e somente duas ainda não têm produção em escala industrial - a conversão do minério em gás e o enriquecimento de urânio. "O único óbice é o investimento", afirmou. Ele disse que tem projeto para instalação de uma fábrica no Ceará que ajudaria a financiar a conclusão da fábrica de enriquecimento e a de conversão.

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