Moradores do Alemão protestam contra violência

Moradores do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, voltaram a protestar contra a violência no conjunto de favelas neste sábado (4), após a morte do estudante Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, e outras três pessoas em tiroteios nos últimos dias. Mototaxistas lideraram uma marcha pela Estrada do Itararé, uma das principais avenidas do complexo, em direção à Praça de Inhaúma. Durante o ato, que reuniu centenas de moradores, a mãe do garoto, Terezinha Maria de Jesus, se revoltou com a presença de policiais militares.

DANIELLE VILELA, Estadão Conteúdo

04 Abril 2015 | 17h45

Terezinha precisou ser amparada por parentes e amigos, após avançar em direção a uma viatura que acompanhava o trajeto dos manifestantes. Ela gritava contra os policiais, chamando-os de assassinos. Após a manifestação, os pais de Eduardo foram recebidos pela secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Cosentino. O governo do Rio decidiu arcar com os custos de traslado do corpo para o Piauí, onde será enterrado no município de Corrente. A família também acompanhará o traslado, no domingo às 11h15.

No Complexo do Alemão, a manifestação terminou por volta das 14h, sem confrontos, após percorrer diversas ruas do conjunto de favelas. Os moradores vestiam roupas brancas e distribuíram balões para reivindicar o fim da violência nas favelas, após noventa dias de tiroteios e confrontos. Em carros de som e nos cartazes, os manifestantes gritavam "Fora UPP" e vaiavam as equipes policiais que acompanharam o protesto, organizado por associações de moradores, lideranças locais, coletivos culturais e organizações comunitárias.

Na tarde de sexta, 3, policiais militares e manifestantes entraram em confronto na Itararé, principal acesso ao Alemão. Cerca de 300 pessoas chegaram a interditar o trânsito, na tentativa de chegar à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Alemão. Os PMs usaram bombas de gás e spray de pimenta para dispersar a manifestação.

Segundo os moradores, os PMs foram violentos e teriam começado o confronto. Um policial foi filmado jogando spray de pimenta na direção dos manifestantes, a maioria mulheres e crianças que balançavam panos brancos para pedir paz. Já os PMs disseram que só atiraram bombas porque começaram a ser alvo de pedras arremessadas por pessoas no protesto.

O policiamento das sedes da UPP no Alemão está sendo reforçado desde quinta-feira por 270 homens do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Ações com Cães (BAC). Em nota oficial divulgada nesta sexta, a Secretaria de Estado de Segurança admitiu a possibilidade de uma nova ocupação no Complexo do Alemão. "Há um centro de comando do COE instalado na Coordenadoria de Policia Pacificadora e cada ação das forças especiais será avaliada até chegar, se for necessário, a uma ocupação completa", diz a nota.

Temendo represálias por parte das quadrilhas que atuam no conjunto de favelas, os PMs montaram dois pontos de fortificação. Toneis cheios de concreto e areia formam barricadas para proteger a sede administrativa da UPP Nova Brasília e o contêiner onde funciona a Base Avançada na Rua Canitar. "A Coordenadoria da Polícia Pacificadora avalia a necessidade de mais pontos de fortificação e instalações de cabines blindadas", informou a Secretaria.

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