MPM inocenta comandante indiciado pela Marinha

Procurador concluiu que máquina de fumaça não foi utilizada em festa; seu uso obrigaria desativação de alarme antifogo

RIO, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2012 | 02h04

Outros dois militares que haviam sido indiciados no Inquérito Policial Militar (IPM) da Marinha após o incêndio foram considerados inocentes pelo Ministério Público Militar (MPM), que pediu o arquivamento do processo contra eles - que tramita em segredo de Justiça. O Estado apurou que os militares citados são o comandante da estação, capitão de fragata Fernando Tadeu Coimbra, e o sargento João Cavaci, técnico em eletrônica da base.

Coimbra disse em depoimento no IPM que alguém, cujo nome não soube dizer, solicitou autorização para "ligar a máquina de fumaça" ou para "desabilitar o sistema" por causa da utilização da máquina de gelo seco na festa - na qual houve consumo de bebidas alcoólicas - , que estava sendo realizada na sala de estar da base na noite do incêndio. Ele foi indiciado no IPM por supostamente ter autorizado o procedimento, enquanto o praça foi responsabilizado por tê-lo colocado em prática.

Em seu pedido de arquivamento, o procurador de Justiça Militar Giovanni Rattacaso destaca que as duas únicas pessoas autorizadas e habilitadas a operar o sistema de detecção de incêndio negaram ter solicitado autorização para desligá-lo e afirmaram que não o fizeram.

Fumaça. O procurador concluiu, com base em vários testemunhos, que a máquina de fumaça não foi utilizada. Apenas duas pessoas ouvidas no IPM confirmaram que a máquina foi usada na confraternização. Para o promotor, as testemunhas podem ter se confundido com outro evento, como o carnaval, comemorado dias antes do desastre.

Rattacaso ressaltou que quatro testemunhas disseram que o sistema de detecção de incêndio funcionava precariamente. Duas pessoas disseram que viram luzes verdes e vermelhas piscando durante o incêndio, o que comprovaria que o sistema estava ligado, embora o alarme não tenha soado. "Ainda que o alarme tivesse soado na primeiríssima ocorrência da chama, já haveria um incêndio de grandes proporções, impossível de ser debelado com os recursos da estação", escreveu o procurador.

Em relação ao consumo de bebidas alcoólicas na festa, Rattacaso defendeu a importância da realização de eventos de caráter social para a manutenção da boa convivência entre os integrantes da estação e para amenizar o estresse causado pelas atividades extenuantes, pelo isolamento e também pelo afastamento da família./ M.G.

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