Mundo não cumprirá meta de tratamento da Aids, diz relatório

Apesar de 700 mil portadores adicionais do HIV estarem tratamento em 2007, o ritmo de ganho é insuficiente

MICHAEL PERRY, REUTERS

18 Julho 2007 | 12h36

O número de pessoas portadoras do vírus HIV (da Aids) que recebem tratamento ficará aquém da meta mundial de, até 2010, haver 5 milhões de doentes sendo medicados, afirmou relatório de uma ONG australiana.     Veja também:    A íntegra do relatório (em inglês) O descumprimento da meta, segundo o documento, será resultado da falta de acesso aos remédios por parte de um grande número de pessoas pobres do mundo todo. O relatório, intitulado "Sem Cumprir a Meta" e que analisa o combate à Aids em 17 países, afirmou que, em muitos países pobres, o tratamento gratuito para portadores do HIV não era, na verdade, gratuito. "Em muitos dos países analisados, o tratamento gratuito não é realmente gratuito", afirmou Gregg Gonsalves, da Coalizão de Prontidão para o Tratamento Internacional, responsável pela divulgação do relatório na quarta-feira. "A cobrança de taxas para realizar testes de diagnóstico, pelo atendimento médico e por outros serviços vem colocando fora do alcance de milhares de pessoas um tratamento essencial para salvar vidas", disse Gonsalves, em um comunicado. Apesar de um número adicional de 700 mil portadores do HIV estarem recebendo tratamento em 2007, o ritmo de ampliação do atendimento precisa ganhar mais velocidade, afirmou a coalizão, que representa ativistas presentes em 125 países. "Triplicar o crescimento anual da taxa de acesso ao tratamento, passando dos atuais 700 mil para 2 milhões de pacientes novos a cada ano, é tanto possível quanto necessário para atingirmos a promessa do Grupo dos Oito (G8) de fornecer tratamento a quase todos os doentes de Aids até 2010", disse a coalizão no relatório. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 40 milhões de pessoas são portadoras do vírus HIV no mundo. O número de pessoas que recebem tratamento aumentou consideravelmente, de 240 mil em 2001 para 1,3 milhão em 2005. No entanto, apesar da expansão no número de pessoas tratadas, o documento afirma que continua a haver desafios importantes quando se trata de reintegrar à sociedade pessoas marginalizadas, de prover tratamento igual às populações rurais e às crianças, do estigma de ser diagnosticado com a doença e do alto custo dos remédios. A África do Sul, país com uma das maiores populações de pessoas contaminadas pela Aids (5,5 milhões), enfrenta dificuldades para oferecer tratamento, disse o relatório. Em 2007, no país, 257.100 pessoas recebiam remédios em centros especializados, 30 mil aguardavam em listas de espera e até 110 mil recebiam tratamento particular.

Mais conteúdo sobre:
saúde aids

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.