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Na Band, Marina promete unir país, Aécio se diz mudança segura, Dilma defende realizações

EDUARDO SIMÕES - REUTERS

27 Agosto 2014 | 02h 51

O debate aconteceu horas depois de pesquisa Ibope mostrar Marina na segunda posição nas intenções de voto

Grande estrela do momento das eleições, Marina Silva (PSB) prometeu no primeiro debate dos presidenciáveis na TV governar unindo o Brasil em contraposição à polarização PT X PSDB, enquanto o tucano Aécio Neves se apresentou como a mudança segura e a presidente Dilma Rousseff procurou defender as realizações de seu governo.

O debate na Band aconteceu horas depois de pesquisa Ibope mostrar Marina na segunda posição nas intenções de voto, com vantagem folgada sobre Aécio, e vencendo a petista, também com ampla vantagem, em um eventual segundo turno.[nL1N0QX03S]

Num encontro com poucos momentos de tensão mais elevada, Marina mirou Dilma logo na primeira pergunta possível de um candidato a outro. A ex-senadora criticou a petista ao afirmar que os cinco pactos propostos por Dilma após as manifestações de junho do ano passado não deram certo.

A resposta de Dilma --"eu considero que tudo deu certo, veja você"-- serviu para a candidata do PSB usar um argumento contra a presidente, que voltaria a repetir no debate: que para resolver um problema é preciso reconhecê-lo.

Em um dos momentos mais quentes do evento, Dilma e Aécio trocaram farpas sobre a Petrobras quando o tucano indagou a petista se ela aproveitaria para pedir desculpas pela maneira que a empresa vem sendo administrada.

Dilma acusou o tucano de "leviandade", citando dados de produção de petróleo da empresa e o fato de a mesma ser a maior companhia da América Latina.

"É realmente uma leviandade a maneira como a Petrobras vem sendo administrada", insistiu o tucano.

Aécio, que perdeu para Marina a segunda colocação na corrida presidencial que lhe garantiria vaga no segundo turno, usou sua primeira pergunta para questionar Marina sobre seu discurso de "nova política" e cobrou coerência da candidata do PSB, que elogiou o tucano José Serra e o petista Eduardo Suplicy.

"Me sinto inteiramente coerente", respondeu Marina, dizendo que existem pessoas boas em todos os partidos, mas o problema é que elas "estão no banco de reservas".

"Essa polarização PT X PSDB já deu o que tinha que dar", arrematou.

ATAQUES, DEFESAS E IRONIAS

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Dilma, que busca a reeleição, foi a principal alvo dos demais seis candidatos presentes no debate --além de Marina e Aécio, Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (PSOL), Levy Fidelix (PRTB) e Eduardo Jorge (PV).

Ao término do debate, em que os três principais candidatos duelaram 10 vezes --quatro confrontos diretos e seis em perguntas de jornalistas--, Dilma lamentou, inclusive, que as regras do debate não lhe permitissem responder a todas as críticas.

A petista buscou defender sua administração mas foi ironizada pelos seus dois principais adversários, que apontaram que a propaganda do governo é melhor que a realidade.

"Esse Brasil que a presidente Dilma acaba de mostrar, quase cinematográfico, não existe na vida das pessoas", disse Marina.

Aécio manteve o tom. "O sonho de consumo dos brasileiros é morar na propaganda do PT", disparou.

No ataque, a presidente centrou sua artilharia contra Aécio ao fazer críticas à gestão econômica do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é do PSDB. O tucano, porém, não acusou o golpe e se disse lisonjeado por Dilma enxergar nele o ex-presidente.

Aproveitando o debate para marcar posição como a mudança segura, Aécio anunciou que, se eleito, nomeará o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como ministro da Fazenda.

"Isso sinaliza na direção do que o Brasil mais precisa, que é resgatar a sua credibilidade", disse o tucano após o debate. Em suas considerações finais, em possível alusão a Marina e Dilma, ele disse que o Brasil não comporta "neste instante novas aventuras, o improviso".

O tucano também defendeu uma reforma política com o fim da reeleição --que vem sendo defendido também por Marina--, mandato de cinco anos e voto distrital misto.

Dilma, por sua vez, voltou a defender um plebiscito sobre a reforma política e rejeitou a ideia de que plebiscitos implicariam em uma "bolivarianização" do Brasil.

"É estarrecedor considerar plebiscito bolivariano. Então a Califórnia pratica o bolivarianismo", disse.