Na Rússia, beba como os russos

Museu da vodca em Moscou mostra a história e a cultura dessa bebida típica

Cíntia Bertolino,

13 Agosto 2010 | 08h47

Sempre presente. Museu exibe a bebida de cada época e a maneira certa de tomá-la

 

 

 

 

 

Se você estiver em Moscou, vá ao Museu da Vodca  (http://www.vodkamuseum.ru/). A visita é um oportunidade única de conhecer a cultura local a partir dos laços que os russos estabeleceram com a bebida. Mas, muito além da história, há uma outra boa razão para visitá-lo: é que ali fica o Tractir, uma réplica de um bar do século 19. E é no bar que se aprende o jeito russo de beber vodca. “Russos bebem vodca fria, mas não muito gelada. E de uma vez só, nunca bebericando”, conta Catherine Kulishova, diretora do Museu da Vodca, em Moscou.

 

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O destilado está presente nos mais importantes eventos da vida russa – em nascimentos, casamentos e até em funerais. “Sempre que algo significativo acontece na vida de um russo, seja conseguir um diploma, a compra de um apartamento, se não houver um brinde com vodca, parece que não há importância”, disse Kulishova em entrevista ao Paladar, por email, de Moscou.

 

 

 

 

 

Quando falamos em vodca, pensamos em Rússia. Por quê?

Essa associação é absolutamente natural e correta, pois há séculos a vodca é uma parte indispensável da vida russa. É também objeto de orgulho nacional e tem uma história enraizada em tradições antigas. Na Rússia, a vodca é conhecida há mais de 500 anos. Primeiro ela era usada para fins medicinais, só depois é que virou bebida.

 

Como a vodca se tornou tão importante para a cultura russa?

Em 1474, o czar Ivan III estabeleceu o primeiro monopólio ao determinar que as pessoas não podiam fazer bebidas alcoólicas em casa. Em vez disso, deveriam comprar do estado. Assim, a vodca acabou se tornando muito comum e também uma fonte de renda de vários czares russos.

 

Vodca era a bebida dos czares e das pessoas comuns?

Por um tempo foi, mas ao longo dos séculos a bebida nem sempre foi uma unanimidade. A vodca foi proibida em várias ocasiões na Rússia. A primeira vez foi em 1601, pelo czar Boris Godunov; depois, em 1914, pelo czar Nicolas II e, mais recentemente, Mikhail Gorbachev, em 1985, estabeleceu uma “semi-lei seca” que não durou. Cada vez que algo é proibido se torna ainda mais popular...

 

Apesar da globalização, a vodca ainda faz parte dos costumes locais?

Os mais jovens preferem coquetéis, mas coquetéis quase sempre são feitos com vodca. Existem muitas tradições russas relacionadas à vodca. Uma que persiste até hoje é o hábito de dar um “shot de penitência” a quem chega atrasado a celebrações. Os retardatários são obrigados a tomar um copinho, de 50 ml, de vodca num gole só. Essa tradição foi instituída por Pedro, o Grande, no século 17. Só que naquela época, os retardatários tinham que tomar numa golada só 1,5 litro de vodca. Claro, as pessoas tentavam ser sempre pontuais nas festas de Pedro, o Grande!

 

Qual é a peça mais incomum do museu?

Há muita coisa interessante em exibição, mas acredito que uma das peças mais interessantes é uma garrafa de 1861 que ainda tem vodca. Essa garrafa é muito rara e incomum porque sobreviveu à proibição de 1914. E a Lenin. É que quando Lenin chegou ao poder ele mandou destruir qualquer coisa que tivesse qualquer relação com o regime czarista. Isso incluía garrafas produzidas sob outros regimes.

 

Vocês servem vodca no museu?

Mas é claro que sim! Após o tour pelo museu, convidamos todos para nosso Tractir, uma réplica de um bar do século 19. Lá é servido vários shots de vodca de excelente qualidade.

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