Na Unicamp, ranking define escolha de vagas

O embrião do projeto que será anunciado hoje é o Profis, criado pela Unicamp há dois anos. A universidade divulgou o programa em todas as 96 escolas públicas de Campinas. Anunciou que selecionaria pelo menos um candidato de cada unidade, com base na nota do Enem. Abriu exceções dependendo do tamanho das escolas - nas maiores, até três alunos foram selecionados. Chegou a um universo de 120 estudantes. Desses, 50 se formam neste ano e, com base num ranking, poderão escolher 135 vagas reservadas em 58 cursos da Unicamp, mesmo os mais concorridos, como Medicina e Arquitetura.

O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2012 | 02h02

"O número 1 do ranking tem prioridade na escolha da vaga e assim por diante", explica o pró-reitor de Graduação, Marcelo Knobel. Dos alunos que não se formam agora, cerca de 40 foram reprovados no ano passado e continuam estudando - o Profis tem prazo de três anos para conclusão. Alguns estudantes prestaram o vestibular no fim de 2011: sete entraram em cursos convencionais da própria Unicamp. Outros fizeram o vestibular de outras universidades. No fim, abandonaram os estudos perto de 10 alunos.

Os selecionados recebem bolsa de R$ 400. No primeiro ano, ela foi paga pela Unicamp. Quem passou para o segundo ano, teve de fazer programas de iniciação científica, artística ou cultural, o que dá direito à bolsa do CNPq, do governo federal, também de R$ 400. O programa do governo estadual prevê a complementação da bolsa até o valor de 1 salário mínimo, R$ 622.

No futuro, a Unicamp pretende oferecer um cardápio variado para quem fizer o programa, como a possibilidade de cursar mais um ano no Centro Paula Souza e sair diplomado como tecnólogo. "Queremos diversificar a oferta de ensino superior no País, hoje muito engessado."

Embora não tenha sido concebido como uma cota, o Profis alcançou resultados semelhantes ao proposto pela Lei de Cotas federal. "A inclusão social é fantástica: 80% dos selecionados têm renda per capita familiar inferior a 1,5 salário mínimo; 90% deles são os primeiros das famílias a chegar ao ensino superior; e a proporção de pretos, pardos e indígenas foi de 35%, idêntica à de Campinas, segundo o IBGE."

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