Na USP ocupada, partidos usam marketing para se destacar

Assembléia desta noite promete posições dividas sobre continuidade do protesto

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 05h34

Ao contrário das últimas assembléias, a reunião deliberativa dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), iniciada nesta sexta-feira às 20 horas, promete posições mais divididas sobre a longevidade da ocupação da reitoria. Para os alunos que vivem dia e noite no prédio, ainda é preferível continuar resistindo até a conquista de novas reivindicações. Mas era esperada, na assembléia desta sexta-feira, a presença de um grupo grande de estudantes favoráveis ao recuo para assegurar as vitórias já alcançadas. A articulação das organizações políticas do movimento estudantil deve continuar monopolizando o microfone durante as argumentações, como sempre acontece em eventos do tipo. A maioria dos partidos, como PT, PSOL e PSTU, já estiveram, em algum momento do último mês, a favor da desocupação. Os únicos a permanecer sempre do lado dos independentes - maioria no local - são a Legião Estratégica Revolucionária (LER) e o Partido da Causa Operária (PCO). Esse último, representado no prédio pela Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), o braço jovem do partido, é o que mais vem se destacando no quesito marketing. Por toda a reitoria é possível ver dezenas de cartazes nas cores vermelha e amarela, contra a repressão e a favor da ocupação. No final, sempre o logo da AJR. Em pelo menos um deles, essa parte foi rasgada. A propaganda chegou até a torre do relógio, um dos principais monumentos da Cidade Universitária, que teve seu portão retirado no início da ocupação e já teve o topo da torre pichado, por pessoas definidas por uma integrante da comissão de imprensa como "vândalas", e a parede enfeitada com a manifestação do PCO. Seus membros, uma dúzia de jovens, nem todos da comunidade uspiana ou sequer do Estado de São Paulo, são fáceis de identificar: quase sempre vestem camisetas vermelhas ou amarelas, com a sigla do grupo. Nas assembléias, distribuem panfletos sem identificação da fonte sobre a situação da greve em cada unidade, além de adesivos com os mesmos dizeres dos cartazes, mas estrategicamente sem o logo da AJR. No saguão principal, são do PCO a maioria das charges que entretêm os ocupantes. Todos os partidos, menos a legenda do artista, são alvo de sátiras. Um dos únicos desenhos impressos a tinta colorida mostra o prédio da reitoria com vários estudantes, cada um segurando uma bandeira vermelha com palavras de ordem em amarelo. Na vida real, porém, as bandeiras do grupo partidário foram hostilizadas na quinta-feira, durante o ato em direção ao Palácio dos Bandeirantes. "Foi combinado que não haveria bandeiras de partidos", reclamou um aluno após a manifestação. "Nem era só porque bloqueava a visão, até as pessoas em frente às bandeiras viraram para trás para pedir que eles as abaixassem", contou outra estudante.

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