Não beba de estômago vazio

No Balcão - Com alguém cozinhando especialmente para você. Foto: Ivan Dias/AE   O termo izakaya, numa tradução livre para os idiomas e costumes ocidentais, equivale a pub, em inglês; ou a boteco, na versão brasileira. Portanto, ao ocupar um dos nove assentos do balcão do Izakaya Issa, é natural pensar que você terá de tomar umas doses para justificar seu lugar ali. De fato, nas prateleiras há várias opções de saquê, shochu, enfim, os clássicos desse tipo de ambiente. Porém, obrigatório mesmo é comer as entradas e pratos de Margarida Haraguchi.   A dona do restaurante - agora vamos chamá-lo assim - não vai ligar se você for abstêmio e tomar apenas chá verde. Mas fará questão de apresentar o máximo de itens do cardápio, uma respeitável coletânea de quentes, frios, massas.   Dona Margarida assumiu a casa faz um mês. Antes, comandava o Goen, no bairro do Jaguaré. A expertise com os pratos quentes já vem de longe: ela é mulher de Massanobu Haraguchi, do Miyabi, um dos chefs mais respeitados da cozinha japonesa em São Paulo. Nessas primeiras semanas, ela conta que tem recebido muitos clientes com saudades do Miyabi (que, enfim, deve reabrir reformado em março no Top Center, depois de quase um ano). Mas explica que não repete os pratos criados pelo marido. O Issa, afinal, é um izakaya, não um restaurante gastronômico.   Na dúvida sobre como proceder, deixe que a anfitriã conduza a refeição. Os petiscos/pratos custam entre R$ 10 e R$ 30 a porção.   É possível pedir também um omakasê, o menu degustação, por algo em torno de R$ 80 (o valor varia conforme os ingredientes utilizados). O começo é sempre com as otoshis (entradas) do dia, que na ocasião da visita foram: cará com acelga; samambaia (uma variedade comestível, obviamente) em conserva; tofu frito com algas. Tudo muito leve e equilibrado. Depois, vieram - sempre em pequenas porções - nabo com filhote de enguia; ovas de ouriço com limão e wasabi; nabo com cogumelo nametake. O mais notável é que em nenhum momento se questiona se algo está muito salgado, ou ácido demais, ou cozido em excesso. Há apenas o sabor, delicado mas nunca escondido. Como se as intervenções tivessem sido tão precisas a ponto de se tornarem imperceptíveis.   Independentemente de quantas coisas você experimentar, só não deixe de pedir uma porção de takoiaky, os bolinhos de polvo (são 12). Não apenas pelo fato de serem muito gostosos (na hora de servir, são polvilhados com alga e peixe bonito ralado), mas porque eles são feitos na sua frente, meticulosamente. E também não deixe de provar algum macarrão, como o yaki udon, frito com vegetais. Houve disposição ainda para uma porção de fígado de galinha refogado com nirá (a cebolinha japonesa) e outra de dashimaki-tamago, o omelete com caldo dashi. É incrível como a hospitalidade abre o apetite.   O Issa tem 33 lugares, contando o salão reservado (para 12) e três mesas no tatame. Mas, se possível, acomode-se no balcão, ainda que você seja do tipo que usa mais o hashi do que o copo - é bom lembrar que se trata de um boteco. Pois é ali que se percebe a real sensação de que alguém está cozinhando especialmente para você.   Izakaya Issa R. Barão de Iguape, 89, Liberdade, 3208-8819 (33 lug.) 18h30/23h30. Cartões: não aceita (cheque ou dinheiro) Cardápio: japonês ao estilo izakaya, com pequenas porções e pratos quentes feitos para acompanhar a bebida

Luiz Américo Camargo,

28 Janeiro 2010 | 14h57

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