Nenê Constantino, dono da Gol, é indiciado por homicídio

Vítima foi baleada em 2001, após discussão por disputa de terreno em uma garagem do empresário

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo,

10 Dezembro 2008 | 19h49

O empresário Nenê Constantino, sócio da empresa aérea Gol, foi indiciado pela Polícia Civil de Brasília como mandante do assassinato do líder comunitário Márcio Leonardo de Sousa Brito, ocorrido em outubro de 2001. Estão também indiciados dois ex-empregados de Nenê como supostos intermediários do crime. São eles João Alcides Miranda e Vanderlei Batista Silva, hoje vereador do município de Amaralina (Goiás).   Eles teriam contratado o pistoleiro, que sequer foi identificado até agora. A polícia também ainda não encontrou a arma do crime. Por meio de nota, Nenê disse que repele "de forma veemente", o que chamou de "injusta e inverídica acusação". O empresário garante que o inquérito não contém qualquer indício que possa sustentar "a absurda conclusão a que chegou a autoridade policial". Ele diz também que vai demonstrar sua inocência, "de forma incontroversa", ao longo do processo.   Márcio foi executado com três tiros de revólver na porta de casa. A polícia não tem dúvida de que o empresário está por trás do crime. As investigações revelam que a vítima comandava a resistência à desocupação de uma área pertencente à Viação Planeta, do grupo Constantino e já havia sofrido várias ameaças tanto do empresário como de emissários dele.   Nenê movia ação de despejo contra o grupo, cerca de 100 moradores, que ocupava a área desde 1990, mas só conseguiu o intento após a morte de Márcio. No dia seguinte ao crime, funcionários da empresa acompanharam a desocupação de todos os barracos. "Eles pagavam R$ 500 a cada família que saía e imediatamente demoliam o barraco", relatou a delegada Mabel Corrêa, encarregada do inquérito.   Ela não tem dúvidas de que Nenê foi o mandante. "As circunstâncias são conhecidas e fartamente comprovadas com testemunhos porque o empresário fez ameaças diretas, à luz do dia, agrediu pessoas e era o maior beneficiário do crime", resumiu.   Na época dos fatos, Brasília era governada pelo cacique político Joaquim Roriz (PMDB), velho amigo e aliado do empresário. Roriz renunciou ao mandato de senador em 2007, no momento em que era investigado por conta da partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões de Nenê, no curso da operação Aquarela.   A delegada nega, porém, que a ligação entre os dois tenha intimado a polícia a investigar o caso. "Nunca sofremos pressão do governo estabelecido para fazer ou deixar de fazer algum ato", acrescentou.

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