Neodrinques que fizeram história

Do Japão à Espanha, drinques como Carnivore, Moshiso, Coming Up Roses e Green Breeze usam técnicas moleculares e são marcos da coquetelaria de hoje

Olívia Fraga,

13 Agosto 2009 | 09h26

No meio do açúcar mascavo tinha uma flor. Dentro dela, uma bebida vermelha. Na boca, sensação vegetal, gosto de folha e fruta. Não fosse a explicação na capa do Paladar, ninguém diria que o conteúdo do copo é, sim, algo de beber. DRINQUE EM NEVE – Junior Merino conseguiu misturar laranja-kinkã, manjericão, geleia de pimenta jalapeño, cachaça e purê de abacaxi em seu Jalapeño Nitrogen Carnivore, o nome do drinque, leva pimenta sichuan (que faz faísca na boca), vodca, morango, maracujá, mamão, pimentão e pisco, a aguardente de uva típica do Peru. Iniciativa das mais ousadas na carreira do catalão Javier de las Muelas, o coquetel surgiu da ideia de criar experiências alcoólicas com vegetais, e faz parte da série Exotiks. Cada lançamento de Javier é um acontecimento em seu bar Dry Martini, em Barcelona. Ele fez fama com os Spoon Martínis, para tomar com colher de madeira (metal modifica o gosto da bebida, ensina Javier). Seus frappés, drinques com frutas maceradas, também já viraram clássicos. Outro sucesso são os Tonics, coquetéis de frutas com uma camada de gelo de água tônica. "Gelo é minha pedra preciosa", diz o mago. Veja também: Desafio de bartenders Rolou uma química na taça O segredo dos pós mágicos Javier faz escola pelo mundo. Admitiu, em entrevista por e-mail, que ficou admirado com as novidades que viu em sua última viagem ao Japão. Pois é lá que vive outro mixologista famoso e obcecado com gelo: Suzuki Takayuki. Como muitos profissionais, ele cria drinques exclusivos para hotéis e bares. Seu coquetel de assinatura é um ensaio físico-químico sobre a hortelã, o Green Breeze. Servido no bar Niki Club, em Tóquio, leva hortelã fresca e em licor misturada ao destilado francês de maçã Calvados. A inspiração? "Colhi a hortelã que crescia no terreno onde o bar seria construído." Suzuki macera a folha em um copo com um pouco de licor. Joga, então, uma bola de gelo cheia de furos, adiciona Calvados, água tônica e soda. A tônica é um pouco mais pesada que a soda. E a bola de gelo, nessa história, fica lá girando no copo. "O gosto muda a cada gole. No primeiro momento, você só bebe a soda, mas sente o cheiro da hortelã. Se continuar bebendo, a doçura da água tônica aparece. Depois, o perfume e o gosto da maçã sobem. Finalmente, o frescor – a ‘brisa’ – da hortelã cobre sua boca." São quase as palavras de um poeta. Até jalapeño com nitrogênio vira ingrediente dos drinques de nova geração. Javier de las Muelas ensinou, o mexicano Junior Merino aprendeu e fez seu Jalapeño Nitrogen, que tem cara de México, um drinque plástico, de estilo, que se come com colher. Merino atende sem nenhum constrangimento quando é chamado de Liquid Chef (é dele o site http://www.liquidchef.com/). Formado em design gráfico, ele é o autor do menu de drinques do The Modern, o bar do MoMA, em Nova York, e de restaurantes de comida mexicana na cidade, como o Rayuela. Seu drinque mais famoso, Coming up Roses, faz pétalas de rosa boiarem numa mistura de champanhe e rum Bacardi. 1. BRISA REFRESCANTE – De Suzuki Takayuki, Green Breeze, drinque de hortelã e Calvados, com uma bola de gelo perfurada a dançar no copo 2. FRAPPÉ – Gelo com sabor e cor, o drinque de Javier de las Muelas faz sucesso no verão. Fácil de fazer, leva dry martíni macerado com frutas 3. SERÁ UM PEIXE? – Ao lado, Moshiso, remake do mojito, preparado com shiso e morada, uma bebida feita do milho roxo 4. PERFUME DE ROSAS – Coming Up Roses é o drinque mais famoso do mexicano Junior Merino. Leva água de rosas, pétalas de flor e bacardi

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