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Netanyahu descarta ceder a Hamas nas conversas para fim da guerra em Gaza

NIDAL AL-MUGHRABI E JEFFREY HELLER - REUTERS

17 Agosto 2014 | 19h 38

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo que qualquer acordo em relação ao futuro de Gaza terá que atender às necessidades de segurança de Israel, alertando o Hamas que ele enfrentará "ataques duros" se recomeçar a disparar contra Israel.

Com o cessar-fogo de cinco dias prestes a acabar no fim da segunda-feira, os negociadores voltaram ao Cairo, após conversações, para buscar o fim para as cinco semanas de hostilidades que mataram mais de duas mil pessoas.

Ambos os lados dizem que as lacunas continuam a existir para que se chegue a um acordo de longo prazo que manteria a paz entre Israel e grupos militantes da Faixa de Gaza, dominada pelo grupo islâmico Hamas, e abrir caminho para que alguma ajuda possa chegar para a reconstrução do enclave destruído.

No final deste domingo, uma autoridade palestina disse que a posição de Israel nas conversações, como apresentada a eles pelos mediadores egípcios, foram um "recuo ante o que já tinha sido alcançado e as discussões tinham voltado à estaca zero."

O funcionário, que não foi identificado, disse a agência estatal de notícias do Egito MENA que Israel endureceu sua posição e colocou demandas "impossíveis", particularmente sobre questões de segurança. Ele disse que os palestinos iriam rever a situação e oferecer sua resposta cedo na segunda-feira.

"Estamos determinados a alcançar as exigências do nosso povo e mais importante é acabar com a agressão e lançar o processo de reconstrução e suspensão do bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza", disse MENA citando fala da autoridade.

Moussa Abu Marzouk, uma autoridade sênior do Hamas nas conversações, disse que não há certeza se o cessar-fogo continuaria além do prazo de segunda-feira à noite.

O Hamas quer que os bloqueios israelenses e egípcios em Gaza sejam suspensos, bem como o estabelecimento de um porto e um aeroporto.

Israel, que lançou sua ofensiva no dia 8 de julho, depois de um aumento dos ataques de foguetes pelo Hamas, tem mostrado pouco interesse em fazer concessões abrangentes e exige o desarmamento dos grupos militantes do território de 1,8 milhão de pessoas.

Em declarações públicas ao seu gabinete, Netanyahu disse que o Hamas não deveria subestimar a determinação de Israel de seguir em batalha.

"Só se houver uma clara resposta às nossas necessidades de segurança chegaremos a um entendimento", disse.

"Se o Hamas pensa que continuando com seus ataques intermitentes vai nos forçar a fazer concessões, está errado. Pois enquanto o silencio não retornar, o Hamas continuará a receber golpes muito duros."

Sobre os comentários de Netanyahu, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, disse: "O único caminho para alcançar segurança é garantir segurança para os palestinos primeiro, acabar com o bloqueio e concordar com as suas demandas."

No sábado, Osama Hamdan, porta-voz do Hamas disse no Facebook que "Israel deve aceitar as demandas do povo palestino ou enfrentará longa guerra."