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Nível elevado de triglicérides aumenta risco de derrame, revela pesquisa

Fernanda Bassette - O Estado de S.Paulo

08 Março 2011 | 00h 00

Estudo dinamarquês apontou que aumento do nível no sangue em jejum é tão perigoso quanto possuir colesterol alto

Muitas vezes deixado de lado por médicos e pacientes, o triglicérides pode se tornar mais um marcador de risco de doenças cardiovasculares e ter um peso tão importante quanto o colesterol na prevenção de um acidente vascular cerebral (AVC), popularmente chamado de derrame.

É o que aponta um estudo dinamarquês que concluiu que ter no sangue altos níveis de triglicérides em jejum é tão perigoso quanto possuir colesterol elevado. A descoberta indica que o triglicérides aumentado eleva os riscos de um AVC isquêmico - aquele em que há o entupimento do vaso por causa do depósito de placas de gordura, que bloqueiam o fluxo sanguíneo.

Os triglicérides são partículas presentes em alimentos calóricos, como bolachas, bolos, massas, enlatados e frutos do mar. Cerca de 80% dos triglicérides são resultado da alimentação e, por isso, podem ser tratados apenas com dieta balanceada. O colesterol, ao contrário, é produzido em boa parte pelo organismo e, para baixá-lo, é necessário fazer uso de medicação.

Os pesquisadores acompanharam 7.579 mulheres e 6.372 homens - todos mediram os níveis de triglicérides em jejum e de colesterol logo no início do estudo (1976-1978). Eles foram acompanhados por até 33 anos.

Nesse período, 837 mulheres e 837 homens tiveram AVC isquêmico. Segundo os pesquisadores, os resultados demonstram que o gradual aumento dos níveis de triglicérides foi associado ao maior risco de sofrer um AVC. As conclusões foram publicadas na Annals of Neurology.

Nas mulheres, níveis acima de 442 mg/dl indicaram um risco 3,9 vezes maior de ter o problema em comparação com mulheres com níveis normais. Em níveis semelhantes em homens, o risco variou de 1,2 a 2,3, respectivamente. "As diretrizes atuais de prevenção de AVC trazem recomendações sobre os níveis de colesterol desejáveis, mas não citam os níveis desejáveis de triglicérides", afirma Marianne Benn, autora do estudo.

Ação. O estudo dinamarquês constatou que os níveis elevados de triglicérides em jejum indicam que há altos níveis de resíduos de lipoproteínas no sangue - partículas semelhantes ao LDL (chamado de mau colesterol).

Essas partículas são minúsculas e densas, o que facilita que sejam incorporadas para dentro da parede interna dos vasos, provocando um quadro crônico de inflamação e, consequentemente, estimulando o crescimento de placas de gordura.

"Quando essas partículas estão em excesso, elas favorecem a infiltração para dentro do vaso sanguíneo. Até então, essa era uma prerrogativa bem estabelecida para o colesterol e agora passa a ser também para os triglicérides", diz o cardiologista Marcelo Ferraz Sampaio, coordenador do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Dante Pazzanese.

"Existe uma tendência de preocupação apenas com o colesterol. Mas esse estudo demonstra que os triglicérides são tão importantes quanto os níveis de LDL. Antes, havia uma suspeita de que só as partículas de LDL aderiam à parede da artéria e o estudo demonstrou o oposto", diz a neurocirurgiã Julieta Gonçalves Silva, da Unifesp.

Segundo Julieta, a suspeita de que níveis altos de triglicérides também eram prejudiciais sempre existiu, mas apenas agora, com esse estudo, é que as suspeitas foram confirmadas. "Cabe aos neurologistas e cardiologistas ficarem atentos para tratar os pacientes preventivamente."

Para o neurologista Rubens Gagliardi, vice-presidente da Academia Brasileira de Neurologia, apesar de o estudo demonstrar os malefícios do triglicérides, a hipertensão arterial ainda apresenta mais riscos para AVC. "O triglicérides isolado é, sim, um fator de risco, mas menos importante que o colesterol. Seus níveis altos podem ser resolvidos com controle dietético, ao contrário do colesterol", diz.

ENTENDA A DOENÇA

O AVC:

É o entupimento ou rompimento de vasos sanguíneos cerebrais, caracterizados pela perda rápida de função neurológica.

As causas:

Malformação arterial cerebral (aneurisma), cardiopatia, tabagismo, colesterol e hipertensão arterial - a pressão alta é um dos principais fatores de risco. O diagnóstico pode ser obtido por meio de exames de imagem, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Sintomas:

Variam de acordo com a área do cérebro afetada pela interrupção da irrigação, mas, em geral, são formigamento das mãos, perda de força no braço e perna (do mesmo lado), dificuldades de fala e, em casos mais graves, desmaio.

Sequelas:

Em geral, pacientes que sofrem AVC ficam com sequelas físicas e motoras. As mais comuns são perda do movimento de um lado do corpo, formigamento e alterações da fala.

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