Nome que faz tremer

Dura a vida de vinho na D.O. Ribera del Duero. Afinal, o vizinho é o Vega Sicilia, mas eles se saíram bem

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2010 | 02h48

Admito que é maldade colocar em uma degustação da região de Ribera del Duero um vinho da Bodega Vega Sicilia. É como inscrever Bach numa competição de jovens compositores. Além da invencível qualidade, os Vega estavam lá quase cem anos antes da fundação da própria denominação de origem, que tem menos de 30 anos.

A inclusão do canhão de seda no painel se deveu a um fato incontornável: Vega Sicilia é um vinho da Ribera del Duero, mesmo parecendo feito em uma ilha isolada do mundo real.

Numa entrevista, tempos atrás, Pablo Alvárez, atual proprietário da vinícola mais famosa da Espanha, quase se aborreceu por eu ter dito justamente isto, que eles eram uma Denominação de Origem, sem precisar da chancela oficial. Pegou a garrafa, virou o rótulo e me exibiu o selo na contra-etiqueta. "Somos da Ribera del Duero", declarou sem hesitar. Cioso de padrões, plantando carvalho para fazer barricas e sobreiros para produzir rolhas, Alvárez quer emprestar seu prestígio para manter a denominação com alto nível.,

Harmonia

Tintos distintos, contidos mas repletos de nuances, longo retrogosto, corpo definido e taninos delicados são bons com carnes grelhadas. Não adianta nem querer inventar moda, os Riberas del Duero combinam perfeitamente com o prato oficial da Castilla y Léon: lechazo churro, o cordeirinho de leite lentamente assado no forno de lenha com batatas coradas

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