Nova reitora da PUC-SP toma posse, mas tem sala bloqueada por alunos

Anna Cintra, terceira colocada na eleição da comunidade acadêmica, teve nomeação confirmada pelo grão-chanceler, d. Odilo Scherer, e recebeu apoio de d. Paulo Evaristo Arns

Cristiane Nascimento e Davi Lira, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2012 | 02h02

A professora Anna Maria Marques Cintra, de 73 anos, é a nova reitora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A nomeação da docente foi confirmada ontem pelo grão-chanceler da PUC-SP, o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, com apoio do cardeal-arcebispo emérito e ex-grão-chanceler, d. Paulo Evaristo Arns, apesar dos protestos da comunidade acadêmica. A posse ocorreu sem cerimônia.

Pela manhã, Anna foi impedida por alunos de entrar na sala da reitoria, no câmpus de Perdizes, zona oeste da capital. Acompanhada de pró-reitores e seguranças, ela chegou às 10 horas e foi barrada por um cordão humano. "Golpistas não passarão. Fora Anna Cintra", gritaram em coro.

Anna então foi à Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, cuja sede fica a um quarteirão do câmpus. No caminho, questionada pela rádio EstadãoESPN, Anna se referiu à manifestação como "coisa de estudante, uma coisa normal". Na ocasião, declarou já ter assumido a reitoria e agir dentro da legalidade. Os acessos externos e internos à reitoria foram bloqueados por dezenas de carteiras amontoadas.

A posse da professora do curso de Letras foi confirmada contra a vontade de alunos, professores e funcionários e após decisão, anteontem, do Conselho Universitário (Consun) de suspender provisoriamente a validade da lista tríplice de indicados ao cargo. Terceira colocada na eleição de agosto, Anna foi nomeada por escolha pessoal de d. Odilo - Dirceu de Mello, reitor candidato à reeleição, tinha sido o mais votado. O regimento geral da PUC dá poder ao grão-chanceler de nomear qualquer um dos nomes da lista tríplice.

Pela manhã, a Fundasp, que administra a PUC, divulgou nota na qual afirma que d. Odilo julgava nula a decisão do Consun e destacava que a democracia na PUC-SP não foi "sequer arranhada".

"Achei desfaçatez, falta de caráter e indisposição ao diálogo por parte dela, que foi chamada três vezes para se explicar diante da comunidade pelo compromisso que foi assumido e depois ignorado", disse o mestrando em História Rodolfo Machado, de 27 anos. Durante as eleições, todos os candidatos se comprometeram a não assumir caso não fossem os mais votados.

Comunicados. Pela manhã, Anna enviou carta à comunidade, assinada também pelo novo vice-reitor, professor José Eduardo Martinez, afirmando que a candidatura dos dois foi motivada pelos inúmeros problemas vividos pela PUC nos últimos anos e pelo fato de terem consigo um grupo de apoio formado por pessoas "competentes, responsáveis e comprometidas".

Posteriormente, enviou outro comunicado a alunos e professores, afirmando lamentar ter sido fisicamente impedida de entrar na reitoria. Anna se colocou à disposição da comunidade, enfatizando que "diálogos exigem civilidade e compromisso democrático de acatar regras e procedimentos que garantam a institucionalidade" da PUC. Para viabilizar e acelerar as conversações, criou o e-mail dialogoreitoria@pucsp.br.

Os grevistas permaneceram no câmpus de Perdizes durante a tarde. Segundo estudantes e funcionários, a reitora passou à tarde pelo câmpus da Consolação.

Por volta das 19 horas, os alunos deram início a um ato simbólico para "enterrar a democracia na PUC e a reitoria de Anna Cintra". Vestidos de preto e com velas, saíram pelas ruas do bairro e chegaram a parar o trânsito na Avenida Sumaré.

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