Novo presidente da CTNBio defende arroz transgênico
O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Edilson Paiva é o novo presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Vice-presidente na última gestão, ele integra o grupo majoritário do colegiado, conhecido por uma atitude mais favorável aos transgênicos. Ele já defendeu uma revisão da posição contrária da Embrapa à comercialização de arroz transgênico no País.
A escolha de Paiva para a presidência do órgão foi feita ontem à tarde pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, com base em uma lista tríplice, montada horas antes por membros do colegiado. O novo presidente assume um colegiado dividido: um grupo majoritário, formado por cientistas pró-transgênicos, e uma ala verde, que reúne 8 dos 27 integrantes da comissão.
Pouco depois de ser comunicado da vitória, o pesquisador disse estar convicto de que a posição contrária da Embrapa à venda de arroz transgênico é fruto de um mal-entendido e defendeu uma revisão do assunto pela empresa, da qual também é pesquisador. "Com certeza não são todos da instituição que acham isso. Seria interessante uma revisão desse assunto para verificar se o veto é fruto de riscos biológicos ou econômicos", afirmou.
Em audiência pública que reuniu agricultores, empresários e cientistas em 2009, representantes da Embrapa foram contrários à liberação do arroz. Após o encontro, o assunto não foi mais discutido pela CTNBio. Paiva diz que o tema deverá ser retomado. "Não houve tempo no ano passado. Faremos tudo com calma, não há pressa."
Além do arroz transgênico, Paiva deverá enfrentar outro assunto polêmico - a revisão de uma resolução da CTNBio, de 2008, sobre o monitoramento de transgênicos liberados no mercado. A proposta, feita no ano passado, foi retirada da pauta de votação após repercussão negativa.
Mesmo com recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para que as regras atuais sejam mantidas, o novo presidente avalia que o assunto precisa ser mais bem discutido. "O ideal é que a resolução seja mais bem detalhada. Não há como fazer monitoramento de tudo", defendeu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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