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Novos fósseis mudam a árvore da evolução humana

Carlos Orsi - estadao.com.br

08 Agosto 2007 | 14h 27

Fósseis encontrados no Quênia tiram o Homo habilis da árvore genealógica do homem moderno

Duas espécies que, acreditava-se, estavam entre os ancestrais diretos do homem moderno foram, na verdade, irmãs, não mãe e filha, e uma delas - o Homo habilis - possivelmente não está na linha evolutiva que leva à humanidade atual. Essas conclusões, apresentadas na edição desta semana da revista Nature, vêm de dois fósseis descobertos em 2000 no Quênia.   Os fósseis são um pedaço de mandíbula de Homo habilis e um crânio preservado de Homo erectus, datados de 1,44 milhão e 1,55 milhão de anos atrás, respectivamente.   A descoberta mostra que as duas espécies conviveram numa mesma área por um período de vários milhares de anos, o que contradiz a hipótese de que o H. habilis teria sido ancestral do H. erectus. Assim, uma dessas duas espécies tem de deixar a linha dos ancestrais diretos do homem.   "Em princípio, tem de ser o Homo habilis" que vai embora, disse o principal autor do artigo que descreve a descoberta, Fred Spoor, do University College London. Como isso,  o Homo erectus passa a ser a mais antiga forma conhecida do gênero homo na linha direta que vai até o  Homo sapiens - a espécie humana atual.   Segundo Spoor, habilis e erectus "provavelmente vêm de um ancestral comum, ainda desconhecido", que teria vivido entre 2 milhões e 3 milhões de anos atrás. Também tomaram parte na pesquisa a equipe de mãe e filha Meave e Louise Leakey, do Koobi Fora Research Project, no Quênia.   Spoor, que continua em campo no Quênia e falou ao estadao.com.br por telefone via satélite, comparou a situação à do homem de neandertal, que até os anos 50 do século passado era citado como um ancestral do homem moderno. Desde então, descobriu-se que ele, na verdade, representava um ramo paralelo na evolução.   "As duas espécies provavelmente se evitavam", disse ele, descrevendo as condições de coexistência entre o habilis e o erectus. "Como chimpanzés e gorilas da atualidade, que ocupam territórios próximos, mas não gostam de entrar em contato".   Ele diz que as duas formas ocupavam nichos ecológicos diferentes, com dietas distintas: "O Homo erectus era mais sofisticado", com uma dieta mais variada, que possivelmente incluía carne de caça, enquanto o habilis tinha hábitos mais vegetarianos.   Se o Homo habilis desapareceu e o Homo erectus não é seu descendente, o que aconteceu com ele? "Provavelmente eram uma população pequena, que não resistiu a mudanças ambientais" e acabou extinta, diz.   DIFERENÇAS ENTRE OS SEXOS   Outro ponto considerado "surpreendente" por Spoor nos fósseis descobertos no Quênia é o tamanho, diminuto, do crânio de Homo erectus, em comparação com outros fósseis da mesma espécie.   Provavelmente o exemplar era uma fêmea, e o pequeno tamanho do fóssil sugere um forte dimorfismo sexual - isto é, uma grande diferença física entre machos e fêmeas - dentro do gênero homo, onde a característica não é comum.   "Isso geralmente está ligado a estratégias reprodutivas e com a forma como os recursos são repartidos", diz o cientista. Espécies onde os machos são muito maiores que as fêmeas "geralmente têm um macho dominante, que controla a reprodução, e machos subalternos que às vezes tentam desafiá-lo", explica.   Como essa característica, se existiu, desapareceu nos milênios entre o H. erectus e o homem moderno? "Isso depende muito das condições ambientais" em que a espécie evoluiu, diz ele. "Possivelmente, o período que o Homo erectus passou fora da África começou a reduzir esse dimorfismo". Para saber com certeza, diz Spoor, é preciso buscar mais fósseis.   O pesquisador adverte contra a tentação de se usar o dimorfismo do Homo erectus para fazer juízos de valor sobre quais tipos de relação entre os sexos seriam mais "naturais", "primitivas" ou "avançadas".   "As duas formas, com e sem macho dominante, existem entre várias espécies de macacos", explica, citando os gorilas, onde o grupo tem um macho dominante, e o bonobo, onde as relações entre os sexos são "mais igualitárias". "Um dia, fomos mais como os gorilas, hoje não somos mais", diz.

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