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Conselho Federal de Medicina

Número de cirurgias bariátricas cresce 6,2% no País

Em 2015, 93,5 mil pessoas passaram pelo procedimento; avanço da obesidade e uso de novas técnicas contribuíram para o aumento

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Paula Felix,
O Estado de S.Paulo

20 Março 2016 | 03h06

As cirurgias de redução de estômago cresceram 6,25% em 2015, em relação a 2014, segundo novo balanço da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). No ano passado, 93,5 mil pessoas foram submetidas ao procedimento, ante 88 mil em 2014. Além disso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliou, em janeiro deste ano, a indicação do procedimento.

Após dois anos pesquisando sobre o tema, a publicitária Eugênia Fonseca, de 42 anos, decidiu que havia chegado o momento de passar pela cirurgia, realizada em fevereiro do ano passado. “Tenho 1,56 metro e estava com 98 kg. Tive acompanhamento psicológico e nutricional, fiz todas as etapas certinho”, afirma.

 

Ela conta que sempre esteve acima do peso e que tentou emagrecer fazendo diferentes dietas. A situação se agravou na gravidez do segundo filho, quando estava com 71 kg, engordou quase 30 kg e não conseguiu mais emagrecer. Com o passar dos anos, Eugênia começou a apresentar várias complicações ligadas à obesidade. “Estava hipertensa e com diabete. Tenho um filho de 9 anos e outro de 6. Não tinha disposição para brincar com eles. Para calçar um sapato, precisava sentar. Além disso, estava com um problema de asma muito sério”, afirma.

Desde a operação, ela perdeu 42 kg e mantém uma alimentação saudável para não comprometer o resultado. “Tenho amigos que fizeram e não mudaram a vida, continuam com hábitos errados. Como frutas, faço dieta com nutricionista. Estou com 56 kg e atingi a minha meta, mas continuo fazendo acompanhamento nutricional.”

Segundo o presidente da SBCBM, Josemberg Campos, além da relação óbvia com o avanço da obesidade no País, outros hábitos adquiridos pelos brasileiros contribuem para o aumento do número de cirurgias bariátricas. “O principal motivo provavelmente deve ser o aumento da própria doença. Mais da metade da população brasileira está acima do peso. O País está adquirindo hábitos de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, com uma maior quantidade de horas dedicadas ao trabalho, pouca atividade física e pouco lazer. O estresse contribui para a obesidade.”

Campos diz ainda que o fato de a cirurgia ter entrado na lista obrigatória de procedimentos realizados pelos planos de saúde, após determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 2011, também contribuiu para que, ano a ano, a bariátrica se tornasse mais conhecida e fosse mais indicada para os pacientes.

Avanços nas técnicas também contribuíram. “Aumentou a segurança. Tem garantia de ter menor taxa de complicações e o retorno (do paciente) às atividades é mais rápido. Também há bons resultados após a cirurgia, com o controle do peso e das doenças associadas em longo prazo.”

Crise. Apesar do crescimento no ano passado, Campos diz que 2016 não deve superar 2015. “Não vai crescer em decorrência da crise, já que as pessoas perderam os planos de saúde”, acredita. Mas este ano deve ser promissor para a especialidade, que foi reconhecida como área de atuação médica no ano passado. “Estamos querendo criar estrutura adequada, com programas de residência médica específicos em cirurgia bariátrica. Após a formação dos primeiros médicos, eles seguirão para diversos Estados para a criação de centros especializados em hospitais públicos.”

Persistência. A corretora de seguros Giulianna Laham de Souza, de 38 anos, teve de adiar a cirurgia por duas vezes. “Descobri que estava grávida um mês antes de fazer a cirurgia. Nas duas vezes. Cheguei a quase 100 kg na primeira gravidez.”

Ela tentou perder peso por diversas vezes antes de encarar o procedimento. “A cirurgia é necessária para quem já tentou de várias formas. Tomei remédios para emagrecer e nunca cheguei a ser magra”, diz.

O procedimento foi feito em abril do ano passado e, dos 107,9 kg distribuídos em 1,62 metro, 48 kg foram perdidos em oito meses. “A cirurgia prepara para uma reeducação alimentar que será para o resto da vida.”

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