O bom e barato existe. Vide Merlots chilenos

Pode ser difícil, mas existe o vinho bom e barato. Isso foi comprovado pelas degustações de Merlots de baixo preço em que tivemos a dupla satisfação de constatar que a média estava muito boa e a diferença de qualidade entre os dois grupos de preços era pequena. Os Merlots chilenos, de modo geral, estavam de acordo com a definição e quase todos tinham pouco a ganhar com mais tempo na garrafa. Se não vai melhorar, porque estocar? O negócio é abrir a garrafa e aproveitar o vinho.

saul.galvao@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2009 | 02h10

No Chile, a Merlot viveu à sombra de sua prima irmã, a Cabernet Sauvignon e, mais recentemente, da Carmenère, com a qual se parece muito. Elas amadurecem em épocas diferentes e quando vinificadas juntas, uma prejudicava a outra. Os Merlots, agora solistas e não coadjuvantes, melhoraram muito e estão conseguindo demonstrar suas qualidades, que são inúmeras. Os bons Merlots são amigáveis desde novos e dispensam envelhecimento. Vinhos redondos, macios e com pouco tanino. Descomplicados, "doces", podem ser bebericados despreocupadamente por um grupo de amigos e também acompanhar muitos pratos de carnes de boi, de porco e de diversas aves. Para o aperitivo e para a mesa.

Merlot é normalmente ligeiro, vai bem em todas as épocas do ano e combina com diferentes situações. Está sempre pedindo para ser bebido. Atualmente, são os de 2007 que dominam as prateleiras. Estão ótimos. Normalmente não têm muitos taninos.

No Chile, os Merlots são suaves, têm pouco tanino e muitos escritores chegam a recomendar os mais ligeiros com coisas do mar - já os tintos com muito tanino costumam brigar, podem dar um ar desagradável de maresia. Além disso, pratos substanciosos pedem tintos do mesmo calibre, encorpados.

Encontramos Cabernets e Merlots em praticamente todas as regiões vinícolas do mundo. Essas uvas são primas e costumam se complementar. A Cabernet é austera, pede tempo. Já a Merlot é macia, precoce, doce e muito mais amigável. Na origem, fazem um casamento perfeito.

EMILIANA MERLOT

ONDE ENCONTRAR:MAGNA IMPORT, TEL. 2113-0999

PREÇO: R$ 25

COTAÇÃO: 87/100 PONTOS

A Emiliana é uma vinícola diferente. Ela é da gigante Concha Y Toro mas é dirigida pelo brilhante enólogo Álvaro Espinoza, o papa dos vinhos biológicos no país, produtor também do Coyan. Os Vinhedos Orgânicos Emiliana têm altíssimo nível e fazem vinhos em várias regiões. Este é de Rapel, um vinho básico. Aroma gostoso de frutas, sem indicações de tempo que passou pela madeira. Melhor na boca, onde causa ótima sensação inicial. Depois, cai um pouco. Não concentrado, ligeiro e bom para bebericar. Final de boca com ligeiro amargor. Suave, com taninos macios. Já está pronto, mas tem um pouco a ganhar com mais tempo na garrafa. Deixa sensação boa na boca. Álcool bem equilibrado. 13,5% de álcool.

TERRA ANDINA MERLOT

ONDE ENCONTRAR: VINCI TELEVENDAS: 2797-0000

PREÇO: R$ 27,69

COTAÇÃO: 89/100 PONTOS

Tenho me impressionado constantemente com a qualidade dos produtos Terra Andina (Merlot e Cabernet), feitos por uma subsidiária da grande Santa Rita, uma vinícola chilena de ponta, caprichada mesmo. Os produtos Terra Andina são ótimos e ficam melhores ainda diante do preço. Um vinho para reuniões de grupos maiores e festas. Acompanha muitos pratos e é ótimo para bebericar com os amigos. Poderia ser um pouquinho menos alcoólico. Macio, suave e elegante. Taninos finos, sem a menor reação de amargor. Bastante concentração de cor e aroma excelente, embora não muito intenso. Evoca ligeiramente chocolate na boca. Mais do que pronto para beber. 14%

de álcool.

VENTISQUERO CLÁSICO MERLOT

ONDE ENCONTRAR: EMPÓRIO FREI CANECA

TELEFONE: 3472-2082

PREÇO: R$ 29

COTAÇÃO: 88/100 PONTOS

A Ventisquero é uma empresa nova e moderna, com terras no Valle Del Maipo, em Casablanca e em Colchagua. Seus produtos de mais destaque são de Apalta, uma das melhores áreas do Chile. Só usa uvas próprias. Este é de suas linhas básicas, um corte de duas uvas semelhantes, Merlot (85%) e Carmenère, fermentado em aço inoxidável. Apenas 10% do vinho esteve muito rapidamente em carvalho francês. O resultado é um vinho alegre, muito frutado, leve. Fácil de beber e difícil de parar. Bom para a mesa e melhor para acompanhar um bate-papo. Aroma não muito potente, mas gostoso. Na boca, profusão de frutas, e sobretudo, delicado. Sem arestas, desce sedosamente. Forte, mas não alcoólico. Equilibrado. 14% de álcool.

SANTA HELENA RESERVA MERLOT

ONDE ENCONTRAR: INTERFOOD

TELEVENDAS: 2602-7255

PREÇO: R$ 34,70

COTAÇÃO: 88/100 PONTOS

Mais um Santa Helena feito em Colchagua por uma vinícola de bom nível. Este é um Reserva da linha intermediária da vinícola, que tem ótimo padrão (Santa Helena Reservado é o básico e o Selección del Directorio, o mais caprichado). Vinho simples, popular, feito em grandes quantidades e sem maiores pretensões. Gostoso e relativamente concentrado. Vai muito bem sozinho, mas é eclético à mesa: acompanha carnes, aves e uma infinidade de massas. Ideal para um spaghetti à milanesa. Aroma potente, com forte presença da madeira. Achocolatado e com toque de coco. Equilibrado. Boa relação custo-benefício. Final agradável, com a evocação de madeira. Taninos mais que mansos. 14% de álcool.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.