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O futebol está acima da política, afirma Dilma em artigo

REUTERS

15 Junho 2014 | 15h 15

A presidente Dilma Rousseff afirmou, em artigo publicado neste domingo, que o futebol está acima da política, de governos ou de grupos políticos, dias após ser hostilizada na abertura da Copa do Mundo e estreia da seleção brasileira no torneio na última quinta-feira, em São Paulo.

"A Seleção Brasileira representa a nossa nacionalidade. Está acima de governos, de partidos e de interesses de qualquer grupo", afirmou Dilma em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo deste domingo e divulgado à imprensa pelo Blog do Planalto e por email.

A presidente já havia afirmado durante discurso, em uma cerimônia de inauguração no dia seguinte ao incidente na Arena Corinthians, que agressões verbais não iriam "abatê-la".

A presidente mencionou, no artigo, a experiência pessoal e lembrou que, quando esteve presa por envolvimento na resistência à ditadura, na década de 1970, teve contato com correntes que criticavam o apoio ao Mundial ou à seleção brasileira.

"Naquela época, havia segmentos que diziam: 'Se você torcer pelo Brasil, você estará fortalecendo a ditadura.' Isso era uma sandice. Para mim, esse dilema nunca existiu", afirmou.

"Eu e as minhas companheiras de cela nunca tivemos dúvidas e todas torcemos pelo Brasil, porque o futebol está acima da política."

Na abertura da Copa e estreia da seleção brasileira, a presidente, que enfrenta baixa popularidade e tem caído nas pesquisas de intenção de voto para a eleição de outubro, evitou vaias ao não discursar, mas ouviu xingamentos de torcedores presentes na Arena Corinthians para o jogo Brasil X Croácia.

PRESIDENCIÁVEIS

O jornal convidou os três principais presidenciáveis a relatar lembranças que têm de outras Copas do Mundo, razão pela qual Dilma falou de sua experiência na década de 1970.

Segundo colocado nas recentes pesquisas, o tucano Aécio Neves, cuja candidatura à Presidência foi oficializada no sábado, também encaminhou artigo sobre a Copa de 1970, a primeira a que assistiu, aos 10 anos de idade.

"Foram quatro semanas de alegria e êxtase...Comemorei muito e cheguei a me orgulhar do Brasil", afirmou Aécio, acrescentando, no entanto, que "não demoraram muitos anos para eu perceber que fora das quatro linhas não havia do que nos orgulhar".

"Volto a 2014. A bola rola em mais uma Copa do Mundo, agora na nossa casa, e meu sentimento é que nos preparamos para duas históricas vitórias: a primeira delas em julho, dentro do campo, e a segunda, a da democracia, em outubro, for a dele", afirmou o senador mineiro.

Já o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, Eduardo Campos (PSB), citou como marcantes dois mundiais de futebol: o de 2006, ano em que foi eleito governador de Pernambuco pela primeira vez, e o de 2010, quando diversas cidades do Estado ficaram alagadas, desalojando mais de 80 mil pessoas.

"No Mundial da Alemanha, dividimo-nos entre as atividades da campanha e uma torcida organizada pela juventude do PSB no Recife antigo", relatou Campos.

Sobre o campeonato de 2010, as lembranças do pré-candidato não são positivas: "A Copa, que mal havia começado, foi totalmente esquecida por mim e pela minha equipe. O Brasil até havia largado bem, vencendo a partida de estreia, mas, a partir daquele 18 de junho (data do início das enchentes), a Copa da África do Sul acabava para mim", disse o socialista.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)