O picolé do cerrado

Os astros do freezer da Frutos do Cerrado são feitos de taperebá, cagaíta, mamacadela, gabiroba...

Cíntia Bertolino,

19 Fevereiro 2009 | 00h00

Na sorveteria Frutos do Cerrado é fácil sentir-se perdido num emaranhado de sabores tão exóticos quanto tipicamente brasileiros. Aberta ao lado do restaurante matogrossense-do-sul Sobaria, na Vila Mariana, há pouco mais de um mês, a loja mantém em seus freezers sorvetes de 55 sabores pouco conhecidos por aqui - repousam lado a lado picolés de coalhada, mamacadela, banana, cajá-manga, milho verde, cagaíta, queijo, araçá, taperebá, mutamba... A variedade extraordinária de sabores atípicos no Sudeste do País não é novidade para os nativos do cerrado, uma ampla faixa geográfica que se estende por 12 estados brasileiros. Então, era de se esperar que alguém tivesse a ideia de fazer sorvete com a grande diversidade de coquinhos e cajás. A iniciativa partiu da sorveteria goiana Frutos do Cerrado, em 1996. A experiência deu tão certo que a marca se espandiu e acaba de desembarcar em São Paulo. “Ainda é uma experiência, esta é uma loja piloto, mas pretendemos abrir a próxima sorveteria dentro de três meses, em Higienópolis, com picolés, sorvetes de massa e shakes”, diz o proprietário, Jean Haddad. No palito, as frutas do cerrado goiano se mostram extremamente saborosas e surpreendentes. O picolé de murici (não confudir com o técnico são-paulino...) revela uma sobreposição de sabores. No princípio lembra queijo, depois uma mistura de fruta, algumas inomináveis. A gabiroba é refrescante, tão refrescante que tem o poder de decretar uma trégua imaginária no abafadão do fim de tarde. A brejaúba, frutinha da família do cajá, é naturalmente adociçada. Pergunte à vendedora se estiver em dúvida. Ela ajuda a guiar os néofitos de modo simples, mostrando como os sabores vão dos mais doces, como o do buriti, aos mais cítricos, como o do cajá-manga. E se estranhar o sal e a canela nas mesas, saiba que o sal é para dar uma quebrada no azedinho do cajá-manga - a recomendação é polvilhar um pouco no picolé, da mesma forma que se costuma fazer com a fruta. Já a canela serve para o picolé de coalhada. Nada contra o indefectível Chicabon. Mas às vezes, o que se quer é um pouco de aventura. Ainda que na forma de um picolé de araticum. Frutos do Cerrado R. Áurea, 351, 5084-8014. Cada picolé custa R$ 3

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