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O prazer de criar pombos-correio

João Carlos de Faria, de O Estado de S. Paulo

16 Abril 2008 | 00h 40

Plantéis no Brasil são pequenos em relação aos do exterior e dão mais despesa do que lucro. Mas criadores adoram

A criação de pombos pode não ser uma atividade das mais rentáveis no Brasil, mas com certeza é uma das mais prazerosas. Pelo menos é o que atestam os que se dedicam à criação de pombos-correio, encarando-a mais como hobby do que uma forma de ganhar dinheiro. O atrativo desta espécie de pombo é a capacidade de voar centenas e até milhares de quilômetros, de volta para o lugar onde nasceu. O cirurgião-dentista Irio Cavaliéri faz parte de um grupo que reúne pelo menos dez criadores no eixo Taubaté, São José dos Campos e Jacareí, somando um plantel de mais de 1.200 aves. Ele iniciou a criação há 40 anos, quando recebeu de presente de um tio dois casais de pombos. ''Ele criava na Itália e continuou quando veio para cá.'' Seu plantel pode ser considerado grande, com 140 aves de várias linhagens. Ele já chegou a criar mais de 300 pombos. ''Aqui, quem tem 500 pombos é grande criador, mas na Europa há criadores com até 4 mil pombos.'' Outro criador de São José dos Campos é Luiz Roberto dos Santos, que, juntamente com o irmão João Carlos dos Santos e o sobrinho Denis William dos Santos Dias, cria as aves. O pequeno plantel de Santos, que começou a se formar há 15 anos, soma 50 aves. ''Criamos por hobby e não para comércio'', explica Luiz Roberto. Ele admite, no entanto, que um bom pombo, campeão em alguma prova importante, de longa distância, pode valer até R$ 2 mil. ''Com certeza é uma boa matriz, valorizada entre os criadores'', diz. Há várias linhagens de pombos-correio, que resultam de cruzamentos entre aves de um mesmo pombal. O que conta é juntar um bom macho com uma boa fêmea, considerando suas performances como voadores e os títulos conseguidos. Linhagem Quando os resultados são bons, os tipos se definem e passam a se destacar como uma linhagem no meio columbófilo, em geral levando o nome do criador. ''A melhoria genética é feita por meio de trocas. Cada país desenvolve suas raças'', diz Cavaliéri. Os columbófilos fazem questão de ressaltar uma diferença entre os pombos-correio e pombos selvagens, ou comuns, considerados como praga urbana. ''O pombo-correio passa a maior parte do tempo preso nos viveiros'', diz Cavaliéri. Para Santos, só a falta de cuidados pode levar os pombos a transmitirem doenças. ''Limpo os viveiros todos os dias, há mais de 15 anos e nunca tive problema'', afirma. Segundo os criadores, é preciso fazer o controle de natalidade, pois os pombos se reproduzem muito rapidamente, completando o ciclo em, no máximo, 21 dias. ''Separo as fêmeas dos machos para evitar a procriação descontrolada'', diz Cavaliéri. Para o criador e presidente da Associação Brasileira de Aves Puras, João Germano de Almeida, a criação de pombos-correio é cara, pois quase tudo tem que ser importado. ''O início de um criatório de dez aves, por exemplo, vai custar quase R$ 1 mil'', afirma. Alimentação O criador Luiz Roberto diz que gasta R$ 60 por mês somente para alimentar seu plantel de 50 pombos, sem contar os medicamentos e demais despesas. As aves normalmente consomem de 30 a 40 gramas de ração por dia e, segundo os especialistas, uma boa alimentação tem de ter pelo menos 60% de milho. Em épocas de corrida é necessário aumentar a proteína para compensar as energias gastas. Germano de Almeida concorda que, no Brasil, a maior parte dos columbófilos não visa ao comércio, mas são adeptos de inúmeras competições realizadas por todo o País, que chegam a reunir mais de 2 mil aves. Os pombos-correio são grandes atletas, voam em grande velocidade, chegando a fazer uma média de 60 a 90 quilômetros por hora. Possuem um apurado senso de direção que não permite que se desviem da rota, orientados, segundo pesquisas, pelo campo magnético. Para competir, os pombos recebem um anel e são embarcados num caminhão que os leva ao destino da solta, onde serão soltos simultaneamente, voltando para seu lugar de origem, ou seja, o pombal onde cada um vive. Assim que os pombos entram no pombal, é retirado o anel de borracha, que é colocado em um relógio ''constatador'', depois é conferido pelos fiscais. INFORMAÇÕES: Associação de Criadores de Aves, tel. (0--11) 5667-3495