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O universo de Philippe Starck

Ícone do design contemporâneo, o francês vem a São Paulo lançar sua cultuada cadeira Masters

Marcelo Lima ,

13 Novembro 2011 | 00h00

Difícil ficar indiferente a uma criação de Philippe Starck. Por mais de três décadas, esse multifacetado criador, designer e arquiteto francês tem feito parte do imaginário coletivo internacional, por meio de objetos e espaços pouco convencionais, os quais, nas palavras dele próprio, se pretendem "bons e democráticos"; antes mesmo de bonitos.

 

Filho de um engenheiro aeronáutico, o desejo de criar ele cultiva desde a infância. Muitos anos e protótipos depois, foi contratado para desenhar interiores para o presidente François Mitterrand e o resto é lenda. Hoje, são poucas as áreas do design nas quais ele não tenha se aventurado: de móveis a utilitários. De motos a iates. De interiores de hotéis butique como o Royalton, em Nova York, o Delano, em Miami, e o Fasano Rio à direção artística de peças de teatro.

 

Muito antes de virar moda, a ecologia já ocupava o centro de suas preocupações. Não surpreende, portanto, que o tema seja sua principal motivação sempre que o Brasil lhe vem à mente. "Gostaria de imaginar soluções para o país da era pós petróleo, quando o próprio plástico será post", diz ele, nesta entrevista exclusiva para o Casa, às vésperas de visitar São Paulo para o lançamento nacional, na próxima quarta-feira, da cadeira Masters, da italiana Kartell.

 

Como nasceu o projeto da Masters? De onde surgiu a ideia de misturar três cadeiras para criar uma nova?

 

Infelizmente - e felizmente - o design tornou-se moda. Felizmente, porque gera bons projetos. Infelizmente, porque, também gera muitos ruins. Hoje, nosso trabalho, enquanto designers, consiste basicamente em reconhecer e separar o que é bom daquilo que não é. E, para isso, um mínimo de conhecimento cultural é mais do que o necessário. A cadeira Masters, nascida do entrelaçamento de três ícones - a Serie 7, de Arne Jacobsen, a poltrona Tulip, de Eero Saarinen, e a Eiffel Chair, de Charles Eames -, nos remete aos tempos áureos do design, dos grandes mestres. Acredito que ela possa nos incentivar a perseguir a qualidade em cada nova compra, sempre que ela for necessária, claro.

 

 

Qual a importância da Kartell para seu trabalho como designer?

 

Muito jovem, ou seja, muito tempo atrás, eu tinha a intuição de que a real elegância estava na produção em massa e que, estruturalmente, qualquer elitismo era vulgar. Eu inventei e passei a minha vida toda insistindo no conceito de design democrático, que era frontalmente contrário a tudo o que acontecia na época. Meu objetivo era baixar o preço do objeto de design e ao mesmo tempo manter sua qualidade, a fim de torná-lo acessível ao grande público. Essa batalha durou 20 anos, mas podemos dizer que agora a luta está ganha. E isso só foi viável graças ao advento dos móveis de plástico injetado, que nos permitiram não apenas aumentar a qualidade e ousar nas formas, mas tirar ao menos dois zeros do preço de uma cadeira. O herói e protagonista desse meio de expressão sempre foi, e ainda o é, a Kartell. A simbiose entre nossa visão, nossa filosofia política e nossas ferramentas industriais é completa e absoluta. Juntos, criamos grandes projetos e ainda temos muitos outros em elaboração. Além de vários desafios à nossa frente, sejam eles ecológicos, sociais, sexuais, filosóficos ou tecnológicos.

 

O senhor visitou o Brasil diversas vezes. Quais transformações observou desde a sua primeira visita?

 

Eu visito o Brasil há tempos e regularmente. Acredito que um país não se transforma, ele apenas segue sua própria evolução, baseada em seus valores estruturais e interiores. No entanto, percebo com satisfação que o conceito de projeto, em todas as áreas, cada vez mais se distancia da ideia do veículo de moda e foca na intemporalidade, na criatividade pura, na intuição e na alta tecnologia. E isso é altamente positivo.

 

 

O que mais o inspira no País?

 

Amo e compartilho diversos valores que acredito estarem enraizados na cultura brasileira: a paixão, a loucura, a intuição, a inteligência empírica e um certo sabor para a vida e a morte. Todos esses valores são um terreno fértil para um futuro apaixonado e humano.

 

Gostaria de saber um pouco mais sobre seus projetos futuros por aqui. Alguma ideia em vista?

 

Meus interesses no Brasil são múltiplos, mas se voltam para a área de projetos ecológicos. Me interessam as novas formas de produzir energia para veículos, casas e também àqueles ligados ao mar, à arquitetura democrática, à alta tecnologia, à construção de casas pré-fabricadas e ecológicas, ou mesmo à fabricação de móveis a partir de componentes orgânicos. Gostaria de levar ao País o meu laboratório de pesquisa sobre criatividade pura e também de imaginar soluções para a era pós petróleo, quando o próprio plástico será post. Aliás, essa é minha principal questão hoje, infelizmente, ainda sem resposta.

 

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