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Onde o Brasil iguala a Europa

Com 9% de desemprego o Brasil se igualou à União Europeia no fim do ano passado – mais uma façanha para a presidente Dilma Rousseff inscrever em seu currículo de administradora. O País perdeu para a zona do euro, com 10,5%, mas ganhou de longe dos Estados Unidos (5%) e da média dos 34 membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o modesto contingente de 6,6% de desocupados. Durante anos, desde o começo da crise global, em 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora ofereceram lições de graça ao mundo rico, alardearam o bom estado das contas públicas (um mito), o baixo desemprego e o crescimento da economia brasileira. Essa arrogância é hoje desmentida, mais do que nunca, pelos dados econômicos mais importantes, incluídos, naturalmente, os indicadores de emprego.

No Brasil, o desemprego passou de 6,5% para 9% da força de trabalho entre o último trimestre de 2014 e os três meses finais de 2015. Em um ano a população desocupada aumentou de 6,45 milhões para 9,09 milhões de pessoas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Conduzido em 3.464 municípios pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse é o mais amplo levantamento das condições de emprego no País. A pesquisa tradicional do IBGE, realizada somente nas seis maiores áreas metropolitanas, mostrou desocupação de 7,6% em janeiro. Mas também esse indicador, embora limitado, confirmou a deterioração do quadro. Um ano antes, o número era 5,3%. Mesmo aqueles 7,6%, no entanto, são piores que a média de janeiro dos 34 países da OCDE (6,5%) e das 7 maiores economias capitalistas (5,5%).

A redução do consumo familiar e a menor demanda de serviços são explicáveis em boa parte pela piora do emprego e do rendimento das pessoas ocupadas. Entre os quartos trimestres de 2014 e de 2015 a massa do rendimento médio real habitual dessas pessoas diminuiu 2,4%. O poder de compra das famílias foi também prejudicado pela alta dos juros. Adicionando-se a isso a crescente insegurança em relação ao emprego e às condições gerais da economia, compõe-se um quadro mais completo da retração dos negócios, com a quebradeira de empresas e o fechamento de lojas.

O cenário continua muito ruim e as possibilidades de recuperação nos próximos meses são escassas. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 3,8%. Em janeiro, o nível de atividade foi 0,61% inferior ao de dezembro, segundo o indicador produzido mensalmente pelo Banco Central (BC).

Um quadro pouco menos feio foi divulgado um dia depois, na terça-feira, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Monitor do PIB – FGV apontou uma variação positiva (0,13%) entre dezembro e janeiro. A nota menciona “discretos sinais de estabilidade”, mas, visto de uma perspectiva mais ampla, o cenário continua tenebroso.

Em 12 meses, segundo o Monitor, o PIB encolheu 4,1% até janeiro. O número é muito parecido com o do índice do nível de atividade do BC, com recuo de 4,4% no mesmo período. O padrão exibido no levantamento da FGV confirma a tendência observada nos últimos anos. A indústria de transformação segue com o pior desempenho setorial (-14,4%). O investimento em capital físico (máquinas e construções) é desastroso, com retração de 14,3%, sinalizando a continuada redução do potencial produtivo e de crescimento.

Enquanto o Brasil afunda no atoleiro, o mundo se move. No último trimestre de 2015, o PIB brasileiro foi 5,9% menor que o de outubro a dezembro do ano anterior. A média do Grupo dos 20 (G-20), formado pelas 20 maiores economias do mundo, foi 3% maior que a do quarto trimestre de 2014. Apontar os números da Índia (+7,5%) e da China (+6,8%) seria basear a comparação em casos extremos. Mas vale a pena mencionar os casos dos Estados Unidos (+1,9%), da Indonésia (+4,9%) e do México (+2,5%) para ressaltar o descompasso entre o Brasil e o mundo.

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