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ONU discute situação na Síria; revolta se aproxima de Damasco

27 de janeiro de 2012 | 10h 34
MARIAM KAROUNY - REUTERS

O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta sexta-feira para discutir a próxima ação sobre a Síria e representantes do conselho entregarão aos países-membros um novo rascunho de resolução árabe-ocidental, num momento em que combates entre tropas e rebeldes chegam mais perto da capital Damasco.

Esperava-se que o Marrocos distribuísse na reunião o novo modelo de resolução, que apoia o pedido da Liga Árabe de que o presidente sírio, Bashar al-Assad, transfira seus poderes a seu vice para estabelecer um governo de união e preparar eleições, após os dez meses de repressão contra manifestantes pró-democracia.

"O Conselho de Segurança da ONU se reunirá em consultas a portas fechadas nesta sexta-feira às 18h (horário de Brasília) em Nova York para discutir as medidas a tomar na situação na Síria", informou a missão francesa no organismo em seu Twitter (@FranceONU).

No entanto, a Rússia já anunciou que o esboço árabe, com apoio de nações ocidentais, é inaceitável para o país em sua atual forma porque não leva em consideração a posição russa, disse a agência de notícias Itar-Tass.

O CS pode votar, no início da semana que vem, a resolução que diplomatas da Grã-Bretanha e da França estão elaborando em consultas com Catar, Marrocos, Estados Unidos, Alemanha e Portugal, disseram os enviados. O documento substitui um texto russo que os diplomatas ocidentais consideraram muito brando.

A delegação marroquina se reuniu na quinta-feira com diplomatas russos e chineses para lhes apresentar a versão mais recente do rascunho, afirmaram diplomatas do conselho à Reuters.

O rascunho, obtido pela Reuters, pede uma "transição política", mas não sanções da ONU à Síria, algo que a Rússia disse não apoiar.

A Rússia, assim como a China, vetou em outubro um rascunho de resolução europeu que criticava a Síria e a ameaçava com sanções. Não está claro se o governo russo está disposto a brandir seu veto novamente para bloquear a ação do conselho na Síria.

Vários enviados ocidentais disseram à Reuters que a Rússia pode achar difícil vetar uma resolução que pretende simplesmente oferecer apoio à Liga Árabe.

COMBATES PERTO DE DAMASCO

Embates entre rebeldes e forças de segurança em Douma, subúrbio de Damasco e palco de protestos de insurgentes armados contra Assad, se desenrolaram durante toda a quinta-feira, e disparos foram ouvidos no centro da capital durante a noite.

Combates irromperam em Homs nesta sexta-feira, um dia depois que uma milícia muçulmana alauíta - da mesma seita do presidente Bashar al-Assad - matou 14 membros de uma família sunita, num dos piores ataques sectários no país desde o início da revolta, em março.

Ativistas disseram que o deslocamente do Exército e os confrontos em pequenas cidades ao redor de Damasco nesta sexta-feira são uma reação à força crescente dos rebelados.

Outros ativistas em Douma, Harasta e Irbin relataram que forças de segurança se concentraram em suas cidades depois que os rebeldes bateram em retirada.

Três pessoas foram mortas em Homs, um atirador de elite matou uma mulher de 58 anos e um menino de 14 na cidade sulista de Deraa, afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres.

A agência estatal de notícias Sana disse que "terroristas" assassinaram um coronel em Homs e detonaram uma bomba em Deraa, matando um tenente do Exército que tentava desarmá-la.


Tópicos: SIRIA, ONU, DAMASCO*