Ora, labora e fermenta

Até há poucos anos, o título era restrito a seis belgas. Depois, veio uma holandesa. Uma francesa também tentou entrar no clube, sem sucesso. E a partir desta semana, uma austríaca se tornou a oitava cerveja a poder usar o selo "autêntico produto trapista" em seu rótulo.

ROBERTO FONSECA, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2012 | 03h12

A Gregorius, feita pelos monges de Engelszell, foi autorizada a entrar no grupo no começo do ano, mas só nesta semana recebeu o selo. O beer sommelier brasileiro Renê Aduan Jr. foi um dos primeiros a degustar a belgian strong ale de 9,7% de teor alcoólico, cor marrom escura e espuma de baixa formação. Segundo ele, há no aroma notas de malte que remetem a café e caramelo, com presença sutil de frutado e lúpulo. No sabor, destacam-se notas tostadas, residual adocicado e força alcoólica.

O selo é concedido pela Associação Trapista Internacional e determina que as cervejas sejam produzidas em monastérios da ordem, por monges ou sob supervisão deles, sem fins lucrativos. Outros produtos, como queijos, podem receber a denominação, cujo objetivo, segundo a entidade, é garantir padrões de qualidade e a tradição das produções.

Seis cervejarias belgas usam o selo: Achel, Chimay, Orval, Rochefort, Westmalle e Westvleteren. A última é a mais cobiçada, pela venda restrita. As demais podem ser achadas no Brasil, assim como a holandesa La Trappe. A francesa Mont des Cats, feita sob supervisão da Chimay, foi rejeitada pela associação.

Duvel

Origem: Bélgica

Preço: R$ 15,90

Belgian strong ale com 8,5% de teor alcoólico e bom equilíbrio entre

malte, notas condimentadas e lúpulo no aroma e no sabor. Na boca, leve calor alcoólico e picância.

Vai para o copo? Sim, pela cerveja e pelo custo-benefício.

Se as receitas citadas acima têm seu nascimento ligado à religião, o quarteto ao lado parece ter sido colocado aqui para provocar. E foi mesmo. Ou melhor, apenas para lembrar que o cervejeiro pode ir do "céu" ao "inferno" apenas trocando de copo e garrafa.

Mais conhecida do grupo, a Duvel fora batizada inicialmente como Victory Ale, homenagem ao fim da 1ª Guerra Mundial. Ao tomá-la, porém, um degustador disse que se tratava "de um verdadeiro demônio". E o nome ficou mundialmente famoso.

Além das marcas citadas ao lado, é possível comprar no Brasil, ainda, as francesas Bière du Demon e Belzebuth./ R.F.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.